O Auditório Externo do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília (DF), sediou, na quarta-feira (10/6), um momento histórico para a magistratura federal. A juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira tomou posse como presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), ao lado das diretoras e dos diretores que compõem a gestão para o Biênio 2026-2028.
A cerimônia solene marcou um capítulo inédito nos 53 anos da entidade, e, pela primeira vez, uma magistrada assume a presidência da Ajufe. Ana Lya Ferraz passa à posição anteriormente ocupada pelo juiz federal Caio Marinho, que liderou a Associação no biênio 2024-2026.

(foto reprodução - AJEFE)
Além de Caio Marinho e Ana Lya Ferraz, integraram o dispositivo de honra da solenidade o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Herman Benjamin; o vice-presidente do STJ e do CJF, corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Luis Felipe Salomão; o ex-presidente da Ajufe e ministro do STJ Paulo Sérgio Domingues; o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques; o corregedor nacional de Justiça, representando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Mauro Luiz Campbell Marques; a presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso; o presidente do Colégio de Presidentes de Tribunais Regionais Federais (Colprefe), desembargador federal João Batista Pinto Silveira; a representante do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Veronica Sterman; e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho.
Em sua fala inaugural, o ministro Herman Benjamin destacou a gestão de Caio Marinho à frente da Ajufe.
“A gestão do presidente Caio Marinho foi de suavidade, firmeza e muitas conquistas. Eu não vou me alongar, porque para descrever um trabalho como foi o feito pelo Caio Marinho, não há necessidade de vocalizar. São as ações, os resultados alcançados numa perspectiva absolutamente republicana”.

(foto reprodução - AJUFE)
O presidente do STJ também desejou êxito à nova presidente e ressaltou o compromisso de Ana Lya com a jurisdição, exercida em uma vara federal na fronteira do país.
“A Vara em que trabalha a nova presidente não é exatamente ali na esquina; é na fronteira do Brasil, no Brasil profundo, e lá ela chegava, em inúmeros voos, de madrugada, sempre com muita alegria e com compromisso de prestar jurisdição na sua Vara. E isto, pra mim, de tudo, de todas as suas qualidades, é aquela que eu mais admiro. É um exemplo para a magistratura federal, para a magistratura estadual, para todos nós. Mas muito especialmente para os jovens juízas e juízes que se encontram aqui. É este o modelo que nós queremos no nosso Brasil e agora em poucos minutos ela estará formalmente à frente desta importante instituição”, destacou.
Em breve manifestação, o ministro Kássio Nunes parabenizou a nova diretoria e a presidente Ana Lya.
“Eu desejo aos empossandos uma profícua atuação à frente da instituição. Contem comigo no Supremo Tribunal Federal, com um olhar sempre atento às necessidades da magistratura”.

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Discurso de posse da nova presidente – Ao tomar posse como primeira mulher a presidir a Ajufe em 53 anos, Ana Lya situou o momento em uma reflexão sobre a história da entidade e da magistratura federal.
“Hoje tomo posse como a primeira mulher a presidir a Ajufe em seus 53 anos de existência. E, embora eu acredite que o significado desta noite vá além dessa circunstância, também reconheço o simbolismo que ela carrega”, ressaltou.
Ana Lya também relacionou a posse ao papel das referências femininas na ampliação de horizontes para meninas e mulheres, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Ao dirigir uma mensagem às novas gerações, afirmou:
“Não permitam que ninguém defina os limites dos seus sonhos antes de vocês mesmas. Saibam que o conhecimento adquirido nunca poderá ser tirado de vocês. Estudem, preparem-se, cultivem a independência e a confiança de que o estudo e a dedicação podem abrir caminhos que hoje talvez pareçam distantes”.
Ao refletir sobre o significado de sua posse, a presidente defendeu que o marco seja lido também a partir do momento vivido pela magistratura federal e pelo país.

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“Muitas pessoas me perguntaram o significado de ser a primeira mulher a presidir uma entidade tão importante como a Ajufe em seus 53 anos de história. Confesso que esse questionamento me deixou um pouco preocupada e também inquieta, provocando uma reflexão que me fez perceber que a pergunta talvez necessite ser formulada com uma perspectiva diferente. O que significa uma mulher assumir a presidência da Ajufe num momento da história da magistratura federal brasileira e dessa realidade do próprio país? Não é só ser presidente da Ajufe, é ser presidente da Ajufe no momento em que nós nos encontramos. A resposta está na relevância histórica da Associação, que representa milhares de juízes e juízas federais de todo o Brasil”.
Ao resgatar a trajetória da Ajufe, Ana Lya afirmou que a Associação foi consolidada por diferentes gerações da magistratura federal.
“A Ajufe foi construída por gerações de magistrados e magistradas que compreenderam que a defesa da magistratura federal exige muito mais do que a defesa de interesses legítimos da carreira”.
Ao defender uma gestão baseada na escuta, a presidente lembrou que percorreu 21 estados em 25 dias úteis durante a campanha e afirmou ter ouvido magistrados e magistradas de diferentes áreas e regiões, dos Juizados Especiais às varas criminais, dos presídios federais aos responsáveis por decisões ambientais, tributárias e regulatórias. “Realidades muito diferentes, mas unidas pelo mesmo compromisso com a entrega de uma Justiça de qualidade à sociedade brasileira.”

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A defesa da independência judicial e da confiança pública nas instituições esteve entre os pontos centrais do discurso. Ana Lya afirmou que a independência não existe em benefício dos magistrados, mas da sociedade.
“Independência judicial não existe para proteger juízes. Existe para proteger a sociedade, para assegurar que direitos fundamentais sejam preservados mesmo quando impopulares.”
Para ela, “a confiança institucional não é um patrimônio dos juízes. É um patrimônio da democracia. É essa confiança que sustenta o Estado Democrático de Direito.”
A nova presidente disse ainda que a independência judicial garante que a Constituição permaneça acima das circunstâncias políticas de cada momento. Nesse contexto, afirmou que a Ajufe tem o dever de defender não apenas a magistratura federal, mas também os valores constitucionais que justificam sua existência.
“O papel de uma instituição comprometida não apenas com a defesa da magistratura federal, mas com os valores constitucionais que justificam sua existência”, concluiu.
Homenagem – Ainda na solenidade, o agora ex-presidente da Ajufe, Caio Marinho, recebeu uma placa, em nome da Diretoria do biênio 2026-2028, em homenagem à sua atuação associativa.

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Além dos integrantes das diretorias da Ajufe biênio 2024-2026 e biênio 2026-2028, participaram da cerimônia de posse os ministros e ministras do STJ Maria Thereza de Assis Moura; João Otávio de Noronha; Humberto Martins; Isabel Gallotti; Antonio Carlos Ferreira; Marco Aurélio Bellizze; Gurgel de Faria; Ribeiro Dantas; Marluce Caldas; Raul Araújo; e Regina Helena, conselheiros do CNJ, representantes do Judiciário, Executivo, Legislativo e das associações da magistratura e do Ministério Público, assim como entidades da sociedade civil.
Também participaram da cerimônia os ex-presidentes da Ajufe Vladimir Passos de Freitas, Walter Nunes, Nino Toldo, Fernando Mattos, Antônio Bochenek, Roberto Veloso, Fernando Mendes, Eduardo André e Nelson Alves.
Conheça a nova Diretoria da Ajufe para o Biênio 2026-2028: https://www.ajufe.org.br/ajufe/diretoria
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