O fantasma da seca volta a assombrar o Rio Paraguai. O principal rio do Pantanal já apresenta níveis abaixo da normalidade no trecho entre Barra do Bugres e Cáceres, justamente no início do período mais crítico da estiagem e diante da previsão de um Super El Niño, levantando alerta para uma possível nova crise hídrica em Mato Grosso.
(foto reprodução / arquivo) - De acordo com o boletim de monitoramento hidrológico divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), o trecho entre Barra do Bugres e Cáceres é o que mais preocupa no momento.
Apesar de o volume de chuva acumulado nos últimos sete meses ter sido 8% superior à média histórica registrada entre 1998 e 2025, o nível do rio não conseguiu se manter dentro da faixa considerada normal para esta época do ano.
A situação pode se agravar nos próximos dias. A previsão meteorológica não indica chuvas para a região ao longo da próxima semana, o que mantém especialistas em estado de atenção.
Na medição mais recente, realizada na quarta-feira, o Rio Paraguai registrou queda de 2% na cota em Barra do Bugres e de 16% em Cáceres, em comparação com a medição anterior.
O Rio Paraguai é um dos principais cursos d’água da América do Sul e desempenha papel fundamental para o abastecimento, a pesca, o turismo, a navegação e para o equilíbrio ambiental do Pantanal, a maior planície alagável do planeta.
O alerta ganha ainda mais força por causa da lembrança da crise enfrentada em 2024. Naquele ano, o Rio Paraguai viveu uma das piores estiagens já registradas. Em alguns trechos, o nível médio chegou a apenas 24 centímetros, menos da metade do esperado para o período seco.
(foto reprodução / arquivo) - A baixa histórica comprometeu a navegação, dificultou o abastecimento de comunidades ribeirinhas, prejudicou a atividade pesqueira, afetou o turismo e agravou os impactos ambientais no Pantanal, além de favorecer a propagação de incêndios florestais.
Agora, a combinação entre estiagem, previsão de Super El Niño e ausência de chuva volta a preocupar especialistas, que acompanham diariamente o comportamento do rio para identificar possíveis agravamentos nas próximas semanas.
O monitoramento continuará ao longo dos próximos meses, período em que, historicamente, o Rio Paraguai registra as menores cotas do ano. A expectativa é de que as condições climáticas definam se o estado enfrentará apenas uma estiagem dentro da normalidade ou um novo cenário de crise hídrica semelhante ao de 2024.
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