Um grupo de conselheiros e associados do Corinthians formalizou um novo pedido de impeachment do presidente Osmar Stabile. O documento foi protocolado junto ao Conselho Deliberativo do clube nesta quarta-feira.
O principal argumento dos conselheiros para o pedido de impeachment trata da contratação de empresas ligadas à segurança do clube. Os membros do Conselho alegam diversas irregularidades na condução da contratação de tais companhias. Com isso, o documento cita possíveis violações estatuárias e pede o afastamento imediato do presidente.
A informação foi inicialmente divulgada pelo UOL e confirmada pela Gazeta Esportiva.
No documento, ao qual a reportagem teve acesso, conselheiros questionam a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda. A empresa é ligada ao atual gerente operacional do Corinthians, Fernando José da Silva, mas não teria vínculo formal com o clube. Além disso, o contrato não teria passado por aprovação do Conselho de Orientação (Cori), conforme exigido no Estatuto Social do clube.
O grupo de associados também questiona três pagamentos realizados à empresa. Somados, os valores totalizam cerca de R$ 676 mil. A companhia não teria autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança e está sendo investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
O ofício protocolado no Conselho também menciona a existência de uma segunda empresa, de nome Bear Security Ltda., também sem registro formais. A companhia teria sido criada em 2025 e também não possui licença da Polícia Federal para atuar no ramo. Os conselheiros citam uma possível ligação da empresa com Stabile antes dele ser eleito presidente, tendo o Corinthians como único cliente.
As notas teriam sido emitidas somente após a eleição de Stabile para o cargo de presidente. De acordo com o documento, o Corinthians teria pago cerca de R$ 586 mil à empresa.
Os conselheiros, então, pedem a destituição de Osmar Stabile sob a argumentação de gestão temerária. Para o grupo, o presidente teria cometido não só infrações estatuárias, mas também violado a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), o Código Civil e a Lei Pelé (Lei 9.615/98). Os associados solicitam, ainda, a contratação de uma auditoria independente para analisar as contas do clube e investigar contratações emergenciais e pagamentos realizados sem contrato formal.
Segundo pedido de impeachment
Em abril deste ano, conselheiros e associados do Corinthians protocolaram o primeiro pedido de impeachment de Osmar Stabile.
O ponto central do documento protocolado no CD envolve um acordo formalizado no início de 2026 entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A negociação pretendia reorganizar uma dívida tributária do clube com a União, estimada em cerca de R$ 1,2 bilhão.
Ainda segundo o pedido, a diretoria teria oferecido o conjunto de imóveis da sede social do clube, o Parque São Jorge, como garantia no acordo com a PGFN. O local é avaliado em aproximadamente R$ 602 milhões. Os conselheiros afirmaram que essa decisão teria sido tomada sem seguir o rito exigido pelo Estatuto Social do Corinthians, que prevê aprovação por maioria qualificada do Conselho em reunião convocada especificamente para esse fim.
Nos últimos dias, a apuração do pedido nos órgãos internos do clube avançou. A Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians emitiu parecer favorável ao processo de impeachment. Stabile, a contar da última segunda-feira, tem 10 dias para se defender antes do encaminhamento do caso ao Conselho Deliberativo.
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