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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
O canto épico ao Marco do Jauru.

Cáceres MT

O canto épico ao Marco do Jauru.

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Ergue-se altivo o Marco do Jauru, testemunha de eras passadas, 
Quando os homens de coroa e espada vinham do além-mar, 
Trazendo consigo tratados e mapas, cercados de soldados e escribas, 
E diante dos rios imensos e do verde pantanal 
Ousaram fincar, na pedra fria, o selo do poder e da conquista. 
Ali ficou inscrita não apenas a fronteira de dois impérios, 
Mas a memória de sangue, suor e silêncio, 
Dos que aqui viviam muito antes da chegada dos conquistadores, 
E dos que, sob o peso da história, ergueram seus destinos. 
 
II 
Oh Cáceres, cidade de braços abertos sobre o rio Paraguai, 
Em ti repousa este monumento, não como simples pedra, 
Mas como altar da memória coletiva, 
Lembrando a teus filhos que a grandeza não se mede em conquistas, 
Mas na força de preservar o que é raiz, o que é herança, 
O que dá sentido à terra em que caminhamos. 
Pois não há futuro sem memória, 
Nem povo sem história, 
E o Marco é guardião dessa verdade eterna, 
Um livro de granito que o tempo não consome. 
 
III 
Quantos que passam por ele não veem além da matéria, 
Não sentem que ali ecoam as vozes de antigos tratados, 
Dos que disputaram terras, rios e destinos? 
E quantos esquecem que a perda da lembrança 
É a mais amarga derrota de uma sociedade? 
Por isso clamo, em voz alta e solene, 
Que o Marco do Jauru seja mais que ruína esquecida, 
Seja patrimônio vivo, ensinado às crianças, 
Honrado em festas, preservado com zelo, 
Pois ao protegê-lo, protegemos a nós mesmos. 
 
IV 
Que se levantem, pois, os cacerenses, 
Herdeiros de um passado de encontros e choques, 
E vejam no Marco não apenas um sinal de fronteira, 
Mas um farol de identidade, 
Uma pedra que sustenta o espírito da cidade. 
E que os séculos vindouros, ao contemplar seu perfil, 
Saibam que houve um povo que não deixou 
A poeira do descuido apagar a memória, 
Mas que a transformou em chama, 
Firme como granito, ardente como esperança. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

FONTE/CRÉDITOS: Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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