O consumo abusivo de álcool segue refletindo diretamente na saúde pública em Mato Grosso. Dados do relatório “Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2025”, divulgado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), mostram que o estado registra uma das maiores taxas de internações relacionadas ao álcool no Brasil. É o 9º entre os 26 Estados e o Distrito Federal.

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Segundo o levantamento, Mato Grosso teve taxa de 203,9 internações atribuíveis ao álcool para cada 100 mil habitantes em 2024, ficando entre os estados com maiores índices do país. Já a taxa de mortes relacionadas ao consumo alcoólico chegou a 37,7 óbitos por 100 mil habitantes em 2023.
O estudo aponta que as regiões Centro-Oeste e Norte concentram um dos perfis mais preocupantes de consumo excessivo de álcool no Brasil. Entre os fatores de risco identificados estão homens entre 25 e 44 anos, com ensino médio, e pessoas que consomem sete ou mais doses em uma única ocasião com maior frequência.
Apesar de o levantamento nacional mostrar redução no consumo abusivo de álcool — que caiu de 17% para 15% entre 2023 e 2025 — o padrão de ingestão pesada ainda preocupa especialistas, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.bida. O percentual de pessoas que afirmam não consumir álcool subiu de 55% para 64% nos últimos dois anos. Entre jovens de 18 a 24 anos, a abstenção aumentou de 46% para 64%.
Mesmo assim, os impactos seguem elevados. Nacionalmente, as internações parcialmente atribuíveis ao álcool cresceram 50,3% entre 2010 e 2024, enquanto o total de internações relacionadas ao consumo alcoólico aumentou 24,2% no período.
Outro dado que chamou atenção no relatório foi o aumento expressivo das internações e mortes relacionadas ao álcool entre pessoas com mais de 55 anos. O crescimento das internações nessa faixa etária chegou a 105% entre 2010 e 2024, enquanto os óbitos aumentaram 51%.

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Entre as principais causas de internações ligadas ao álcool estão acidentes de trânsito, quedas e outras lesões não intencionais. Já as mortes estão associadas principalmente à cirrose hepática, doenças cardíacas e acidentes de trânsito.
O relatório completo do CISA foi elaborado com base em dados do Datasus, Sistema de Informações Hospitalares (SIHSUS), Sistema de Mortalidade (SIM), além de pesquisa domiciliar realizada pela Ipsos em todo o país.
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