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Sabado, 19 de Setembro de 2026
Agora Pod | “Ciúme não é tempero do amor”, destaca coronel da Patrulha sobre padrão da violência.

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Agora Pod | “Ciúme não é tempero do amor”, destaca coronel da Patrulha sobre padrão da violência.

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“Ciúme não é tempero do amor. Ciúme é controle, ciúme é insegurança.” A afirmação é da tenente-coronel Raissa Amorim, coordenadora da Patrulha Maria da Penha em Várzea Grande, durante entrevista ao Agora Pod, podcast do Leiagora. Para ela, o ciúme excessivo pode estar relacionado a comportamentos de controle e ao sentimento de posse dentro dos relacionamentos.

🚨 “Ciúme não é tempero do amor. Ciúme é controle, ciúme é insegurança.”, No novo episódio do Agora Pod, a tenente-coronel Raissa Amorim, coordenadora da Patrulha Maria da Penha em Várzea Grande, fala ...

(foto reprodução) - O alerta ocorre em meio a um cenário de violência letal  contra as mulheres que continua preocupando em Mato Grosso. Até o início de setembro, 34 feminicídios haviam sido registrados no Estado em 2026, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso. No mesmo período, foram concedidas 12.870 medidas protetivas e registrados mais de 33 mil boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica, conforme os dados apresentados no roteiro do podcast.

Em Várzea Grande, foram três feminicídios registrados em 2026 até o momento, mesma quantidade contabilizada durante todo o ano de 2025.

Os números, porém, não significam que as mulheres que não tinham medida protetiva deixaram de buscar ajuda por escolha. A própria experiência relatada pela coordenadora mostra que muitas vítimas sequer reconhecem inicialmente que estão vivendo uma situação de violência, enquanto outras são impedidas de procurar ajuda pelo medo, pela dependência emocional ou econômica e pelo isolamento imposto pelo próprio agressor.

Segundo Raissa, o comportamento de controle pode surgir de forma gradual. Muitas histórias acompanhadas pela Patrulha começam com uma relação aparentemente saudável e passam, com o tempo, para situações de humilhação, isolamento e agressões.

“Ele era um príncipe no começo”, relata a coronel ao reproduzir uma frase que, segundo ela, aparece com frequência nos atendimentos. As mulheres contam que o homem dizia que as amava, queria construir uma família e faria tudo por elas. Depois, porém, surgiam apertões, humilhações e o afastamento da família.

“Sempre só muda o endereço, mas a história mesmo”, afirma Raissa ao descrever o padrão que, segundo ela, se repete em diferentes casos acompanhados pela equipe.

Para a coordenadora, o sentimento de posse também pode aparecer na ideia de que o homem tem direito sobre a mulher. “Se ela não for minha, ela não vai ser mais de ninguém”, exemplifica. Ela defende que o ciúme não seja tratado como demonstração de amor, mas como uma forma de controle.

Ciclo da violência

Raissa explica que a violência doméstica costuma seguir um ciclo. Segundo ela, primeiro ocorre a intensificação da tensão, seguida pela explosão, quando acontecem as agressões, e depois vem a chamada “lua de mel”, período em que o agressor pede desculpas, demonstra afeto e promete mudar.

É justamente essa alternância que pode dificultar o rompimento da relação. Raissa resume o mecanismo ao afirmar que o mesmo homem que causa o sofrimento também pode ser aquele que traz o alívio. Depois de uma agressão, segundo ela, o homem pode pedir perdão, dizer que ama a mulher e prometer que será diferente. Meses depois, porém, as agressões podem voltar e se intensificar.

A coordenadora cita ainda medo, dependência emocional, dependência econômica, isolamento e baixa autoestima como fatores que dificultam a saída desse ciclo. Por isso, defende que a mulher não seja julgada quando decide permanecer ou retornar ao relacionamento, mas continue recebendo acompanhamento da rede de proteção.

Medida protetiva

Durante a entrevista, Raissa também explicou como funciona o acompanhamento das mulheres que recebem medidas protetivas. A Patrulha Maria da Penha atua na fiscalização das determinações e na identificação de situações que possam representar risco maior à vítima.

A equipe utiliza o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (FONAR) para analisar fatores relacionados à mulher, aos filhos e ao agressor. Entre os sinais considerados de maior risco estão episódios de estrangulamento, uso de drogas pelo agressor, ameaças e descumprimento da medida protetiva.

Raissa também afirma que ter uma medida protetiva não significa que a mulher possa ser deixada sozinha pela rede. Nos casos em que a vítima retorna ao relacionamento ou retira a medida, a orientação é manter o acompanhamento, com participação de profissionais da saúde, assistência social, educação, Justiça e segurança pública.

A coordenadora ainda falou sobre o que acontece quando o agressor descumpre uma medida protetiva, os grupos reflexivos destinados aos autores de violência e a necessidade de ampliar a atuação da rede para identificar situações de risco antes que elas evoluam para casos mais graves.

A entrevista completa com a tenente-coronel Raissa Amorim está disponível no Agora Pod, assista abaixo:

 

 
 
 
 
 
 
 
 

 

FONTE/CRÉDITOS: Eloany Nascimento - Leia Agora - foto reprodução
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