A construção de uma ponte de concreto sobre o Rio São Lourenço, na região de Porto Jofre, no município de Poconé (111 km ao Sul de Cuiabá), é alvo de críticas por parte de representantes do setor de turismo, comunidades pesqueiras e indígenas.
A obra é considerada estratégica, uma vez que vai unir os pantanais mato-grossense e sul-mato-grossense, duas das regiões mais ricas em biodiversidade do país.
O projeto entre os dois estados pretende integrar a Estrada Transpantaneira (MT-060) à MS-214, conectando Porto Jofre e o município de Corumbá (MS).

(Pelo projeto, a ponte integrará a Estrada Transpantaneira (MT) à MS-214 (MS), conectando o município de Corumbá (MS) ao Porto Jofre, em Poconé (MT))
No entanto, na semana passada, 22 associações ligadas ao ecoturismo, ao setor pesqueiro e à conservação da vida silvestres lançaram um manifesto se posicionando contrárias a construção da estrutura, a primeira ligação física entre os dois pantanais.
A iniciativa ocorre após publicação, no Diário Oficial do Estado (DOE), do extrato de protocolo de intenções nº 01/2026, entre as secretarias de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) e do vizinho Mato Grosso do Sul (Seilog-MS).
Antes, em junho do ano passado, representantes dos dois órgãos estaduais realizaram uma visita técnica na região, para avaliar três possíveis traçados para a construção da ponte de cerca de 300 metros de extensão e um investimento estimado entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões.
De acordo com o protocolo de intenções, o objetivo é “envidar os esforços necessários para majorar a proteção do bioma Pantanal e impulsionar o ecoturismo via criação de um corredor logístico rodoviário que integre os pantanais mato-grossense e sul-mato-grossense”.
Para isso, a parceria visa a elaboração do projeto e execução da ponte sobre o Rio São Lourenço, bem como a implantação e execução, pelo Estado de Mato Grosso do Sul, de um trecho rodoviário estadual integrado ao seu sistema rodoviário estadual para acesso à passagem.
O protocolo tem prazo de vigência de 48 meses, a partir da assinatura e/ou publicação, datada de 3 de fevereiro deste ano, podendo ser prorrogado.
A construção da estrutura de concreto, no entanto, traz preocupações, como enfraquecimento da vocação turística, risco adicional de ocorrência de incêndios florestais e a intensificação do tráfego de veículos na Estrada Parque Transpantaneira, elevando significativamente o risco de atropelamento de fauna e a consequente perda de biodiversidade.
“O aumento do fluxo de veículos em áreas sensíveis representa risco concreto à fauna silvestre, como já observado em outras rodovias do bioma Pantanal, ampliando o número de atropelamentos e ameaçando espécies emblemáticas”, justificam as entidades.

(O local onde a ponte será instalada é uma região isolada na divisa entre os estados, dominada por vastas áreas de ecoturismo)
A carta tem como participantes a Associação Civil do Ecoturismo Pantanal Norte (Aecopan), Associação de Defesa do Pantanal de Poconé (Adepan), Colônia de Pescadores Z-11, Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo (Abeta-MT), Agência de Viagens (Abav), Panthera Brasil, entre outros.
As entidades avaliam que a implantação da ponte tende a direcionar o uso da estrada para o transporte de commodities, com circulação de veículos pesados incompatíveis com a atividade turística e com a conservação ambiental.
“O Pantanal enfrenta atualmente desafios severos, como secas prolongadas e redução da área alagada, exigindo medidas de proteção e conservação, e não a abertura de novas frentes de impacto”, ressaltam.
Lembram ainda que a região de Porto Jofre, onde se localiza o Parque Estadual Encontro das Águas, é o principal destino mundial para observação de onças-pintadas, atividade que movimenta cerca de US$ 30 milhões por ano.
Como propostas, as associações sugerem melhorias da infraestrutura e da integração interna do Pantanal mato-grossense; a interligação entre Barão de Melgaço e Porto Cercado; a melhoria do acesso ao histórico Porto Conceição; e o fortalecimento da ligação entre Poconé e a região conhecida como “Boqueirão”.
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