A Polícia Federal identificou repasses de pelo menos R$ 175,9 mil de três empresas de publicidade ligadas ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) para uma rádio pertencente à família do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos).
(foto reprodução) - As movimentações financeiras foram registradas em abril de 2025 e constam na investigação que apura um suposto esquema de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Corte de Contas.
A emissora é a Rádio Vale das Perdidas de Jaciara Ltda., que tem entre seus sócios Sophia Wagner Russi, filha de Max Russi e da prefeita de Jaciara, Andreia Wagner, além de Lucas Santana Lima.
Conforme o relatório da Polícia Federal, a rádio recebeu R$ 127.997,76, da Zimmermann Publicidade e Propaganda Ltda., R$ 40 mil da DMD Associados e Assessoria e Propaganda Ltda. e R$ 8 mil da Ziad A. Fares Publicidade.
As três empresas aparecem na investigação por suas relações contratuais e financeiras com o TCE-MT.
Os repasses também foram destacados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou a existência de um fluxo financeiro entre fornecedores beneficiados por pagamentos do Tribunal e outras empresas, incluindo a emissora vinculada à família do parlamentar.
(foto reprodução) - Na manifestação encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Ministério Público Federal afirma que parte dos recursos recebidos pelas contratadas seguiu para empresas utilizadas na conversão de valores em espécie, ou para a rádio da família do presidente da Assembleia.
A investigação teve início após uma denúncia sobre supostas pressões exercidas contra fornecedores do TCE-MT.
Segundo a Polícia Federal, empresas que aceitassem devolver parte dos valores recebidos teriam seus pagamentos preservados, enquanto outras enfrentariam a suspensão de contratos.
A apuração também identificou que determinadas agências de publicidade tiveram aumento expressivo nos pagamentos, após a edição de portarias que, sob a justificativa de contenção de despesas, determinaram a suspensão de contratos administrativos em 2024.
Para os investigadores, a movimentação dos recursos levantou suspeitas sobre a destinação do dinheiro público e a possível utilização de empresas para ocultar valores desviados.
O procedimento integra a investigação que resultou na Operação Tomada de Contas, deflagrada pela PF, com medidas autorizadas pelo ministro Og Fernandes, do STJ.
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