Quase dois milhões de hectares do Pantanal, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, passaram a contar com monitoramento por Inteligência Artificial (IA), para detectar focos de fumaça e antecipar o combate aos incêndios florestais.
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A tecnologia utiliza câmeras de alta resolução instaladas em torres, capazes de identificar sinais de fogo a até 30 quilômetros de distância.
O sistema, denominado Pantera, é utilizado pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e funciona ininterruptamente, com análise automatizada das imagens e emissão de alertas para as equipes responsáveis pelo combate às chamas.
A cobertura foi ampliada em aproximadamente 20% após melhorias realizadas há cerca de um mês, passando de 1,6 milhão de hectares para quase dois milhões.
A expansão permitiu alcançar o Território Indígena Guató, localizado na Ilha Ínsua, em Mato Grosso do Sul.
Uma das intervenções ocorreu na região do Parque Nacional do Pantanal, no município de Poconé (110 km a Oeste de Cuiabá), onde uma antena já existente foi modernizada para ampliar a capacidade de monitoramento.
Outra melhoria envolveu a instalação de uma nova câmera, que estendeu a cobertura para uma faixa da fronteira entre o Brasil e a Bolívia.
Segundo o IHP, a ampliação fortalece a capacidade de identificar rapidamente possíveis incêndios em áreas remotas, onde o acesso das equipes de combate costuma ser dificultado pelas características geográficas do Pantanal.

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MONITORAMENTO 24 HORAS – Desenvolvido pela startup Um Grau e Meio, o sistema Pantera opera regularmente desde 2022 e possui uma central de monitoramento na sede do Instituto Homem Pantaneiro, em Corumbá (MS).
As câmeras instaladas no alto das torres captam imagens continuamente, que são analisadas por algoritmos de inteligência artificial capazes de reconhecer sinais de fumaça em questão de minutos.
Ao identificar uma possível ocorrência, a plataforma calcula sua localização e encaminha alertas automáticos aos operadores, permitindo que as equipes avaliem a situação e organizem a resposta.
Além das imagens, o sistema cruza informações sobre temperatura, velocidade do vento e umidade relativa do ar, permitindo projetar a possível direção de propagação das chamas.
Esses dados auxiliam na definição das estratégias de combate e são compartilhados com instituições como o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama) e os Corpos de Bombeiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O analista de Tecnologias do IHP, Igor Souza, explica que os equipamentos foram desenvolvidos para operar em condições ambientais extremas.
As câmeras possuem aproximadamente 1,20 metro de altura, capacidade de rotação de 360 graus, zoom de alta potência e alcance de até 30 quilômetros.
A estrutura também foi projetada para suportar chuvas intensas, exposição prolongada ao sol e temperaturas superiores a 40 graus Celsius.
“Além disso, tem uma estrutura muito robusta, ela consegue girar no próprio eixo 360 graus e vai ficar no alto da torre por tempo indeterminado, então precisa aguentar o sol quente, a chuva e raios”, explicou Souza.
RESPOSTA ANTECIPADA – A principal vantagem da tecnologia está na possibilidade de reduzir o intervalo entre o surgimento de um foco de incêndio e sua identificação pelas equipes de monitoramento.
No Pantanal, onde grandes extensões de vegetação estão localizadas em áreas isoladas, a detecção precoce pode contribuir para evitar que pequenos focos se transformem em incêndios de grandes proporções.
A combinação de imagens em tempo real, inteligência artificial e informações meteorológicas também permite acompanhar o comportamento das ocorrências e orientar o deslocamento das equipes.
A tecnologia, entretanto, funciona como ferramenta de apoio à prevenção e ao combate, não substituindo a atuação dos brigadistas e dos órgãos ambientais.
INVESTIMENTOS – Fundado em 2002, em Corumbá, o Instituto Homem Pantaneiro é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada à conservação e restauração do Pantanal, à gestão de áreas protegidas e à valorização da cultura pantaneira.
Em setembro deste ano, a instituição passou a integrar o South America Fire Fund, iniciativa filantrópica de US$ 100 milhões voltada à prevenção e ao combate aos incêndios florestais na América do Sul.
O fundo foi lançado com aportes iniciais de US$ 30 milhões da Gordon and Betty Moore Foundation e US$ 5 milhões da The David and Lucile Packard Foundation.
No Pantanal, o IHP está entre as organizações responsáveis pela implementação de estratégias destinadas a fortalecer a prevenção de incêndios e reduzir os impactos das mudanças climáticas.
A preocupação também envolve a possibilidade de intensificação dos períodos de seca em decorrência do fenômeno El Niño, que pode aumentar as condições favoráveis à propagação do fogo.
Nesse cenário, a ampliação do sistema Pantera representa um reforço à estrutura de vigilância ambiental, especialmente em áreas de difícil acesso e de elevada importância ecológica.
Com quase dois milhões de hectares sob monitoramento, a expectativa do instituto é ampliar a capacidade de resposta aos primeiros sinais de incêndio e contribuir para a proteção de um dos biomas mais vulneráveis às mudanças no regime de chuvas da América do Sul.
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