Após sete anos de críticas e distanciamento, empresa de Luciano Hang adquire cota de patrocínio para o mundial de futebol na emissora.
A Havan retornará à grade comercial da TV Globo como uma das patrocinadoras da transmissão da Copa do Mundo de 2026. A decisão marca uma inflexão na postura do empresário Luciano Hang, que mantinha um boicote declarado à emissora desde o início de 2019.
Segundo Hang, a aproximação ocorre em bases estritamente comerciais, focadas no entretenimento esportivo, mantendo o veto aos espaços jornalísticos da rede.
A empresa catarinense adquiriu uma cota de apoio no pacote comercial da emissora. O formato garante a aparição da marca em ações de conteúdo e nos intervalos comerciais dos jogos. O mercado publicitário projeta que os investimentos na cota girem em torno de 235 milhões de reais, cifra que a empresa contesta.
O peso comercial e a justificativa
Em nota oficial divulgada em 11 de fevereiro de 2026, a Havan confirmou a assinatura do contrato, mas negou os números especulados no mercado. Segundo a empresa, o valor veiculado “não condiz com a verdade”.
Para justificar o retorno à emissora que atacou publicamente durante anos, a varejista utilizou o apelo popular do esporte. A companhia afirmou que decidiu investir na Copa do Mundo porque o futebol “mobiliza o país e une famílias”, separando o evento esportivo da linha editorial da emissora.

(foto reprodução)
Histórico de atritos
O distanciamento entre a rede de lojas e a Globo coincidiu com o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. A partir de 2019, Hang cortou os investimentos publicitários na emissora carioca e redirecionou suas campanhas para concorrentes, tornando-se um dos principais anunciantes do SBT.
Durante esse período de sete anos, o empresário adotou uma postura hostil contra a Globo, sendo um dos responsáveis por popularizar a expressão “Globo lixo” entre apoiadores do antigo governo. A justificativa para a retirada dos anúncios sempre esteve atrelada a uma insatisfação com a cobertura jornalística.
Apesar do novo contrato milionário para o futebol, a Havan fez questão de ressaltar que a barreira com o departamento de notícias permanece. A empresa reiterou que “há anos” não veicula publicidade nos telejornais nacionais “por não compactuar com o jornalismo da emissora em nível nacional”, posição que afirma manter inalterada.
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