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Domingo, 21 de Junho de 2026
Frio causa gripe? Confira mitos e verdades sobre as doenças respiratórias.

Brasil

Frio causa gripe? Confira mitos e verdades sobre as doenças respiratórias.

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Em 2026, o alerta ganhou força diante do aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por influenza. Dados do Instituto Todos pela Saúde mostram que os registros quase dobraram no País no primeiro trimestre do ano, passando de 1.838 casos em 2025 para 3.584 no mesmo período deste ano.

Segundo a médica radiologista Claudia Friedrich, especialista em imagem abdominal e torácica da Fundação Instituto de Diagnóstico por Imagem (FIDI), o crescimento não pode ser explicado por um único fator. A queda de temperatura interfere em mecanismos naturais de defesa do organismo, favorece a circulação viral e também muda hábitos da população, que passa mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados.

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(foto reprodução)

O frio, sozinho, causa gripe?

Mito. A gripe é causada por vírus, e não pela baixa temperatura. O inverno, no entanto, favorece a transmissão desses agentes infecciosos.

Pesquisas publicadas no *Journal of Allergy and Clinical Immunology* indicam que a queda da temperatura na cavidade nasal reduz a capacidade de defesa local do organismo. O resfriamento da mucosa diminui a liberação de vesículas extracelulares, estruturas produzidas pelas células do nariz que ajudam a capturar e neutralizar vírus antes que eles invadam o organismo.

Além disso, o ar frio e seco pode comprometer o funcionamento dos cílios respiratórios, responsáveis por remover partículas, secreções e microrganismos das vias aéreas. Soma-se a isso o comportamento típico dos dias frios: mais tempo em locais fechados, com menor circulação de ar, o que facilita a transmissão de vírus.

Pessoas com doenças respiratórias sofrem mais no inverno?

Verdade. Pacientes com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquite e fibrose pulmonar costumam ser mais sensíveis às mudanças de temperatura.

O ar frio pode irritar as vias aéreas e agravar sintomas como falta de ar, chiado no peito e tosse persistente. Em muitos casos, infecções virais também funcionam como gatilho para crises respiratórias, especialmente em quem já tem alguma condição diagnosticada.

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(foto reprodução)

Só idosos precisam se preocupar?

Mito. Embora os idosos estejam entre os grupos mais vulneráveis, eles não são os únicos que exigem atenção. Crianças pequenas, gestantes, pessoas imunossuprimidas e pacientes com doenças crônicas também apresentam maior risco de complicações.

A pandemia também deixou reflexos nos consultórios e serviços de diagnóstico. De acordo com Claudia, houve aumento da procura por exames destinados à investigação de sintomas respiratórios persistentes e possíveis sequelas pulmonares após infecções virais. O movimento também reflete uma maior conscientização da população sobre a importância do acompanhamento da saúde pulmonar.

Abrir as janelas ajuda a prevenir infecções?

Verdade. Mesmo nos dias frios, manter os ambientes ventilados segue como uma das medidas mais eficazes para reduzir a concentração de vírus no ar.

A circulação de ar diminui a exposição a partículas respiratórias potencialmente contaminadas e reduz o risco de transmissão, especialmente em locais como escritórios, escolas, transporte coletivo e residências com muitas pessoas.

Exames de imagem só são necessários em casos graves?

Mito. Radiografias e tomografias não são indicadas para qualquer resfriado ou quadro gripal simples. No entanto, tem papel importante quando os sintomas persistentes, quando há suspeita de complicações ou quando o paciente pertence a grupos de risco.

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(foto reprodução)

Segundo a especialista, os exames de imagem deixaram de ser usados apenas para confirmar doenças e passaram a integrar decisões clínicas desde os primeiros sinais de alteração pulmonar. A tomografia computadorizada de alta resolução, por exemplo, é uma das principais ferramentas para investigar doenças pulmonares.

Sintomas que duram semanas merecem atenção?

Verdade. Tosse persistente, cansaço, chiado no peito e falta de ar costumam ser atribuídos a gripes mal curadas ou aos efeitos do clima seco. Mas, quando permanecem por mais de três semanas, exigem avaliação médica.

Isso porque os mesmos sintomas podem estar associados a diferentes condições, desde infecções prolongadas até doenças inflamatórias, fibroses pulmonares e tumores em estágio inicial.

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Algumas medidas simples ajudam a reduzir riscos durante os meses mais frios. Entre elas estão manter a vacinação em dia, evitar longos períodos em ambientes fechados e sem ventilação, higienizar as mãos com frequência, manter boa hidratação e controlar doenças respiratórias já diagnosticadas.

Também é importante procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes, especialmente quando há falta de ar, chiado no peito, cansaço fora do habitual ou tosse que se prolonga por semanas.

 
 
FONTE/CRÉDITOS: Correio do Povo - foto reprodução
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