Para o comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva, a faixa de fronteira do Brasil representa preocupação para as Forças de Defesa. Durante evento para apresentar tecnologias militares, Paiva reconheceu que atualmente há percepção de ameaça ao país.
“No passado, não tínhamos nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje temos uma percepção de ameaça, incluindo nossa atuação constitucional e legal de auxiliar os Poderes da República na faixa de fronteira, que é uma preocupação enorme”, declarou aos jornalistas.
De acordo com o alto comando do Exército, a faixa de fronteira impõe complexidades à defesa nacional, exigindo investimento tecnológico para que as divisas brasileiras se mantenham preservadas.
“A faixa de fronteira é enorme, vasta. São 17 mil quilômetros. A gente tem que estar olhando para ela e empregando cada vez mais tecnologia, porque em que pese o fato de nós sermos a instituição mais presente, ainda assim a faixa de fronteira é enormemente vasta, complexa, diversa, com biomas diferentes, e a gente tem que buscar soluções tecnológicas para poder mitigar o problema”, afirmou o general, destacando que as forças armadas dispõem de 77 instituições militares atuando nas divisas brasileiras.
Fronteiras de MS
Em Mato Grosso do Sul, a faixa de fronteira compreende uma área de aproximadamente 150 km de largura, fazendo divisa com o Paraguai e a Bolívia. Ao todo, são 45 dos 79 municípios inseridos na região.
A condição torna o Estado porta de entrada para o tráfico de drogas e contrabando, sob coordenação organizada de facções como PCC e Comando Vermelho.
A fala do general ocorre na mesma semana em que os Estados Unidos decidiram passar a tratar esses grupos criminosos como facções terroristas, mudando a forma de enfrentamento e, segundo especialistas, implicando o endurecimento das ações de combate, sanções econômicas e políticas.
Para o governo brasileiro, a preocupação é de interferência na soberania do país. Por outro lado, políticos alinhados à direita comemoram a medida, enxergando nela uma forma de responder ao domínio das facções.
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