Neste sábado (01), o empresário Manuel Jorge Ribeiro, completou 81 anos de vida, sendo cerca de 60 deles empreendendo na região Oeste de Mato Grosso.
Ao todo sete supermercados, fazendas e participações nas usinas de cana de açúcar em Lambari do Oeste e Mirassol do Oeste.
Com três supermercados em Cáceres, gera mais de 500 empregos diretos e cerca de 150 indiretos somente em Cáceres.
O empresário recebeu a reportagem em sua residência situada na área central de Cáceres, estava com a esposa hispano-brasileira Creuza Izquierdo Goméz Cáceres Ribeiro e o neto Manuel Jorge Ribeiro Neto, este acompanha o avô nas atividades agropastoril .
O empresário revela que ainda criança e depois já adolescência observava na sua cidade natal- Padrão-, um pequeno povoado à Leste de Lisboa, quase na divisa com a Espanha, que muito de seus compatriotas se mudavam para o Brasil, quando regressavam estavam com estabilidade econômica consolidada.
Diante dessa constatação firmou um pensamento de vir para o Brasil, tão logo completasse à maioridade, e assim fez.
O ano era 1963, no dia 17 de fevereiro daquele ano, despediu se dá família, com lágrimas e saudades entrou à bordo do navio italiano Julio César Bandeira, navegando rumo ao Brasil descendo o Oceano Atlântico, refazendo à rota de Cabral e de suas Caravelas que o antecederam.
Ao todo à viagem consumiu onze dias, mesclando mares calmos, mas também encrespado, notadamente nas proximidades da linha imaginária do Equador, que divide a Terra em dois pólos, norte e sul.
Numa sexta feira 01 de março, dia de seu aniversário o Julio César Bandeira, faz trinar o apito ao adentrar o porto de Santos, no litoral paulista, enfim Manuel Jorge Ribeiro, chega ao Brasil. E, de lá embarca pata à capital São Paulo, apenas troca de ônibus rumando para a cidade de Jales, ao todo entre à rodovia dos imigrantes até a Washington Luiz, finalizando em Jales pela estrada Euclides da Cunha, viajou 661 quilômetros em solo brasileiro.
No município de Jales, seus compatriotas já estavam estabelecidos há tempo, onde tocavam movimentados comércios. Ao deixar Portugal, veio com a promessa de emprego num dos empreendimentos lusitanos, e foi logo contratado como balconista.
Com desenvoltura logo o jovem português foi se habituando com pequenas diferenças no idioma e aprendendo com a clientela brasileira.
Em seis meses, foi promovido ao cargo de gerente, em um dos armazéns.
Daí em pouco tempo foi transferido para gerenciar a filial em Santa Fé do Sul, onde trabalhando esbarrou se na hispano brasileira Creuza Cáceres.
RAIOS CÁCERES CÁCERES SOOU EM SUA MEMÓRIA
Afinal de contas o sobrenome de sua futura esposa, era nome mais frequentes nas rodas de prosas em todas as cidades do noroeste de São Paulo, no comércio onde trabalhava Manuel ouvia " estamos indo para Cáceres no Mato Grosso, lá estão abrindo vilas e colônias com apoio do governo ".
Lá em Cáceres, a terra é fértil, tem rios, matas e chuvas no tempo certo " diziam seus fregueses, que compravam ferramentas aos montes e seguiam para à chamada " Grande Cáceres ".
Então Manuel Jorge Ribeiro, já estava prestes a completar cinco anos de trabalho como empregado, conversou com a esposa Creuza, decidiu pedir as contas para mudar se para Cáceres.
Os patrões à princípio não aceitaram dispensar o funcionário, chegando a duas propostas uma de aumentar seu salário e ainda ceder 30% nos lucros da loja que Manuel gerenciava. Todavia, ele foi irredutível, já tinha tomado a decisão de mudar para Cáceres, de mala, cuia, caniço e samburá.
Com as economias, adquiriu um caminhão pequeno lotou com ferramentas agrícolas e sua pequena mudança junto à companheira rumaram para Mato Grosso numa longa viagem de 1.165 quilômetros sem asfalto, era fevereiro de 1968, temporada de chuvas no Mato Grosso, cruzou o Rio Paraná numa balsa, seguindo pela rodovia que os paulistas batizaram de " Estrada de Cuiabá ", aí ora chuvas intensas, ora calor demasiado, atoleiros, pernilongos. Enfim chegam à Cáceres após quase uma semana de muita perseverança.
Em Cáceres, se hospedam sondam o comércio. Surpresos com a arquitetura focal, muito semelhante à de sua terra natal, na cidade um vai e vem de imigrantes mineiros, capixabas e paulistas chegam em caminhões fretados todos os dias.
Observa ainda que em Cáceres, estão radicados uma forte colônia árabe, além de franceses, holandeses, espanhóis, alemães e até norte americanos, se convivendo com os pantaneiros da cidade. Um comércio fluente com bancos oficiais e privados, escolas, hospitais enfim uma boa infra estrutura.
COLÔNIA RIO BRANCO
Mas afinal, para vão esses colonos que estão chegando em grandes levas diárias à Cáceres? Indagava Manuel Jorge.
Pesquisando descobriu que essa massa de agricultores em grande maioria era afixada na Colônia Rio Branco e adjacências.
Após a longa jornada descobre que faz necessário viajar mais 135 quilômetros até Rio Branco, estrada precária, pinguelas, atoleiros, mosquitos e quase dois dias até chegar no eldorado Mato Grossense.
Ali, dá início a sua atividade comercial. O caminhão apinhado de tralhas para atividade na agricultura é esvaziado em poucas horas.
Não havia comércio na pequena Rio Branco. A procura de ferramentas era imensa, então Manuel comerciante por excelência, toma nota dos pedidos que vão desde enxadas, picareta , foices, machados, arame, pregos, parafusos, dobradiças, matraca ( plantadeira à mão), arado, grampos, lanternas, facão, faca, botinas, roupas, janelas entre outros utensílios.
Com a relação de pedidos em mãos, regressa a São Paulo, volta com a caminhão surtido com as mercadorias.
Ai, abre o primeiro Cadastro Geral do Contribuinte ( o extinto CGC, atual CNPJ)com o nome de Indústria de Comércio Rio Branco Ltda, hoje Grupo Juba. O empresário Manuel se orgulha de nunca ter mudado o mesmo CNPJ.
Ele revela que quase perdeu um dos dedos quando descarregava mercadorias encomendadas por um comerciante situado na região das Flexas ( BR 070 Cuiabá à Cáceres), de acordo com ele, pegou a encomenda ao saltar do caminhão à aliança se prendeu na lona. " Foi um momento de muito desespero, Mas consegui desvencilhar do apuro", recorda.
Rio Branco, assim como toda a vasta região povoada por mineiros e capixabas, faziam plantações de arroz e milho, enquanto aguardavam a produção de café que se estendiam em grandes lavouras entre Rio Branco; Salto do Céu; São José dos Quatro Marcos e Mirassol. Foi aí que o empreendedor Manuel, abriu uma torrefação de café em Cáceres, que segue até os dias atuais com o nome Café Visão, porém com outros proprietários.
Com muito trabalho e dedicação ao comércio em pouco tempo à Comércio Rio Branco, já tinha uma pequena frota para suprir as cidades do Oeste de Mato Grosso, com revenda de secos e molhados. Além de abastecimento de gás de cozinha, bem como fogão, geladeiras, camas entre outros itens .
O casal teve quatro filhos- Marcelo; Manuel; Patricia e Mirko ", todos nascidos em Cáceres, Rio Branco, não era emancipada.
Na atualidade o Grupo Juba, tem seguido as tendências de mercado com aadoção de padrão internacional, com forte atuação com apoio às atividades culturais, esportivas e ambientais.
Católico fervoroso, Manuel ao completar mais um ano, se diz grato a Deus, à sua família e a hospitalidade e confiança da população do Oeste de Mato Grosso, sobretudo de Cáceres e de Rio Branco, onde tudo começou.
FONTE/CRÉDITOS: Por: João Arruda - foto reprodução
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