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Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
Eliene barra na Justiça efeitos de CPI que pedia seu afastamento do cargo.

Cáceres MT

Eliene barra na Justiça efeitos de CPI que pedia seu afastamento do cargo.

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A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato (Podemos), conseguiu na Justiça barrar a abertura de uma Comissão Processante que poderia resultar no seu afastamento do cargo. A decisão foi proferida pela juíza Raíssa da Silva Santos Amaral, da 4ª Vara Cível de Cáceres, que concedeu parcialmente mandado de segurança impetrado pela gestora contra o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras Públicas da Câmara Municipal. A comissão havia recomendado a instauração do procedimento após apontar supostas irregularidades na condução de obras no município. A instalação de CP contra Eliene fica suspensa até a análise do mérito. 

"DETERMINO que as autoridades impetradas e a Câmara Municipal de Cáceres/MT SE ABSTENHAM de utilizar o referido  elatório Final de CPI como denúncia, peça de acusação direta ou fundamento exclusivo ou suficiente, por si só, para a
abertura de Comissão Processante ou qualquer outro procedimento político-sancionatório de cassação de mandato em desfavor da ora Impetrante", diz trecho da decisão

Ao analisar o pedido, a magistrada entendeu que há indícios de violação ao direito de defesa da prefeita durante a condução dos trabalhos da comissão. Conforme a decisão, a defesa de Eliene havia solicitado acesso aos autos da investigação, direito de manifestação e acompanhamento das apurações, mas o pedido foi negado sob a justificativa de que ela não era alvo formal da CPI. 

Entretanto, ao final das investigações, a comissão incluiu a prefeita entre os responsáveis pelas supostas irregularidades apontadas no relatório final, sem que ela tivesse sido notificada, ouvida ou tivesse acesso ao conteúdo produzido durante a apuração.

 eliene liberato

(foto reprodução - prefeita de Cáceres, Eliene Liberato)

Na decisão, a juíza destacou que a CPI informou formalmente à prefeita que ela não era investigada e, posteriormente, a responsabilizou pelas irregularidades apuradas, o que, segundo a magistrada, pode configurar violação aos princípios da boa-fé, da confiança legítima e do direito à ampla defesa.

Diante do exposto, em sua decisão a representante do Poder Judiciário argumentou que o próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) possui entendimento consolidado de que a "inobservância do processo legal e das garantias de defesa na esfera inquisitorial-parlamentar invalida os atos da Comissão de Inquérito".

A magistrada também ressaltou que a utilização do relatório  para fundamentar a abertura de um processo de cassação poderia causar danos políticos e administrativos de difícil reparação, justificando a concessão da medida de urgência.

Com a liminar, a Câmara Municipal de Cáceres e os integrantes da CPI ficam impedidos de utilizar o relatório final como denúncia, peça de acusação ou fundamento exclusivo para abertura de Comissão Processante ou qualquer outro procedimento político-administrativo contra a prefeita até o julgamento definitivo da ação.

"Todos os efeitos jurídicos e práticos das conclusões, indiciamentos e imputações de autoria contidos no relatório estarão
suspensos de forma exclusiva em relação à impetrante Antonia Eliene Liberato Dias", determinou a juíza.

A decisão, contudo, não impede que o relatório seja encaminhado ao Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e Controladoria-Geral da União (CGU). Nesses casos, a Câmara deverá anexar cópia da decisão judicial, informando que os efeitos das conclusões da CPI em relação à prefeita estão suspensos.

Relatório da CPI

A CPI das Obras Públicas apresentou seu relatório final na última segunda-feira (9), após quase um ano de investigações sobre obras públicas paralisadas, atrasadas, abandonadas ou executadas com problemas em Cáceres.

Instaurada em julho de 2025, a comissão teve como objetivo apurar as causas e responsabilidades pela paralisação de diversas obras municipais, além de investigar possíveis falhas na execução e fiscalização dos contratos.

Presidida pela vereadora Enfermeira Elis (PL), a CPI apontou um suposto padrão recorrente de falhas administrativas envolvendo fiscalização deficiente, acompanhamento inadequado das obras, demora na adoção de medidas corretivas, sucessivos aditivos de prazo e valor, paralisações e abandono de empreendimentos.

O relatório recomendou a abertura de uma Comissão Processante contra a prefeita Antônia Eliene, além do afastamento cautelar de servidores e secretários municipais. As conclusões também seriam encaminhadas aos órgãos de controle para aprofundamento das investigações.

Com a decisão judicial, porém, as conclusões da CPI ficam temporariamente sem efeito em relação à prefeita até que o mérito do mandado de segurança seja julgado.

FONTE/CRÉDITOS: rdnews - foto reprodução
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