Um negócio de criação de cavalos de raça teria sido utilizado para esconder parte dos R$ 32,3 milhões recebidos pelo consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia.
(foto reprodução) - Ele é apontado pela Polícia Federal como o principal destinatário de recursos de um suposto esquema de corrupção instalado na Corte.
Está entre os seis investigados que tiveram a prisão preventiva decretada na Operação Tomada de Contas, deflagrada na quinta-feira (29).
A investigação revela que o servidor concentrou uma movimentação milionária em um curto intervalo.
Somente por meio de 179 transferências bancárias avulsas, recebeu R$ 31,6 milhões, distribuídos em 12 contas abertas em nove bancos diferentes.
O fluxo de dinheiro também se refletiu em suas aplicações financeiras.
Em janeiro de 2025, Grhegory mantinha R$ 1,84 milhão em contas bancárias. Nove meses depois, o saldo havia ultrapassado R$ 7,6 milhões.
Para os investigadores, parte dos recursos teria sido direcionada a negócios particulares, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.
Um deles é a Maia Reining Horses Ltda., constituída em julho de 2025 para explorar a criação de cavalos de raça e a comercialização de material genético dos animais, como sêmen e embriões.
A suspeita é de que a atividade tenha servido como instrumento de lavagem de dinheiro, considerando que negociações envolvendo animais de alto valor podem apresentar grandes variações de preço, dificultando a identificação de operações destinadas a mascarar a origem de recursos.
A Polícia Federal também identificou uma holding familiar vinculada ao consultor, denominada G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda.
Conforme a apuração, a empresa recebeu aportes associados aos valores investigados e teve entre suas administradoras familiares de pessoas ligadas ao grupo.
(foto reprodução)
DINHEIRO PÚBLICO SOB SUSPEITA - As movimentações atribuídas a Grhegory integram uma investigação mais ampla sobre o suposto desvio de recursos do orçamento do TCE-MT.
Segundo a apuração, integrantes da Corte teriam criado mecanismos para direcionar pagamentos, pressionar empresas contratadas e distribuir valores entre servidores e conselheiros.
A Polícia Federal identificou R$ 75,85 milhões em movimentações suspeitas ao longo de 294 dias de 2025.
O presidente do Tribunal, Sérgio Ricardo, também preso preventivamente, aparece na investigação com R$ 15,44 milhões em créditos bancários.
Os investigadores identificaram ainda 150 retiradas em espécie atribuídas ao conselheiro, que totalizaram R$ 15,64 milhões.
Parte da movimentação em dinheiro vivo teria ocorrido dentro da própria sede do TCE, por meio de uma unidade bancária instalada no prédio.
Além de Sérgio Ricardo e Grhegory, foram determinadas as prisões de Gustavo Fernandes da Silva, Felipe José Glinke, Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes.
A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinada pelo ministro Og Fernandes, também atingiu outros integrantes da Corte com afastamentos e restrições ao exercício de funções públicas.
Para assegurar eventual recuperação dos recursos investigados, a Justiça autorizou medidas patrimoniais de até R$ 145 milhões.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes federais encontraram grandes quantidades de dinheiro em espécie, veículos de luxo, relógios e bebidas importadas.
O volume de cédulas apreendidas exigiu que a Polícia Federal recorresse a uma instituição bancária para realizar a contagem.
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