A 1ª Vara Cível de Cuiabá autorizou o início do processo de recuperação judicial de três empresas que fazem parte da marca Café Visão, fundado em Cáceres (222 km de Cuiabá) e também presente na região metropolitana. A organização acumula dívidas de R$ 4,9 milhões.
A recuperação judicial é um instrumento jurídico onde empresas em crise financeira e administrativa pedem “socorro” ao Estado, a princípio, como última alternativa antes de fechar as portas - uma espécie de “negociação” intermediada pelo Poder Judiciário. A organização revela em sua conta no Instagram que atua no ramo há mais de 50 anos, sendo oficialmente fundada na década de 1990, e reclama dos altos custos da matéria-prima para comercialização de café. "A crise econômico-financeira decorreu da conjugação de diversos fatores, entre eles os reflexos econômicos posteriores à pandemia da Covid-19, a estagnação do mercado local, o aumento expressivo do preço do café e dos custos de produção, a elevação da taxa básica de juros e, por consequência, o encarecimento do crédito, além da inflação, do aumento da inadimplência e da maior competição no mercado”, diz trecho do processo.
(foto reprodução) - Em decisão publicada no dia 30 de setembro de 2026, o juiz da 1ª Vara Cível de Falências de Cuiabá, Márcio Aparecido Guedes, reconheceu a essencialidade de uma máquina que empacota o café moído e torrado, mas deixou de fora dois veículos - um Citroën C4 Cactus e uma Toyota Hilux CD SRX. O reconhecimento da essencialidade na recuperação judicial impede que um bem seja vendido para o pagamento de credores até o fim do processo.
Os veículos não foram declarados essenciais pelo juiz em razão de sua função “acessória” - transporte, deslocamento etc -, fora da operação industrial do Café Visão. Por pelo menos 180 dias a organização fica livre de ações de execução (cobranças de dívidas) na justiça. O plano de recuperação judicial - a proposta da empresa para o pagamento de dívidas, com prazos e “descontos” -, deve ser apresentado em breve.
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