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Segunda-feira, 20 de Julho de 2026
Biografia traz relatos inéditos sobre vida e morte do primeiro beato mato-grossense.

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Biografia traz relatos inéditos sobre vida e morte do primeiro beato mato-grossense.

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Mais de duas décadas de convivência, viagens missionárias, histórias inéditas e a certeza de que conheceu um santo. É assim que o escritor Otávio Piva resume sua relação com o agora beato Padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano assassinado em Jauru (MT), em 2001, e beatificado pela Igreja Católica em 13 de junho deste ano. Responsável pela biografia do sacerdote, Piva afirma que a obra reúne não apenas fatos históricos, mas também suas experiências pessoais ao lado daquele que considera um dos maiores exemplos de santidade dos tempos atuais. A biografia tem previsão de lançamento para outubro.

Nazareno Lanciotti nasceu em Roma, em 1940, chegou ao Brasil em 1971 e, no ano seguinte, fixou-se em Jauru, onde fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e desenvolveu um intenso trabalho pastoral e social. Além da evangelização, criou escolas, hospital, asilo, seminário e combateu o tráfico de drogas, a prostituição e a exploração de menores. A atuação incomodou grupos criminosos e culminou no atentado sofrido em 11 de fevereiro de 2001. Ele morreu 11 dias depois. Em abril de 2025, a Igreja reconheceu oficialmente seu martírio, e a beatificação ocorreu em junho de 2026, tornando-se a primeira realizada em Mato Grosso. Há 25 anos de sua morte, nenhum criminoso foi condenado ou o fato esclarecido.

Otávio Piva conta que conheceu padre Nazareno entre 1983 e 1984, durante o trabalho desenvolvido no Centro de Medjugorje, e que a amizade se fortaleceu dentro do Movimento Sacerdotal Mariano. Segundo ele, o próprio fundador do movimento, padre Stefano Gobbi, nomeou Nazareno como responsável pelos sacerdotes no Brasil e o designou como responsável leigo nacional pela difusão dos cenáculos de oração.

"Acompanhei o padre Nazareno por vinte e três anos. O padre Gobbi nomeou o padre Nazareno responsável pelo Movimento Sacerdotal Mariano no Brasil e eu, junto com ele, como responsável leigo. Desde então, dediquei minha vida à difusão dos livros e dos cenáculos", relatou.

Homenagem Nazareno Lanciotti em Jauru

(foto reprodução)

"Ele era um modelo de santidade"

Piva descreve Padre Nazareno como um sacerdote totalmente dedicado ao povo e à missão evangelizadora.

"Na biografia, procurei colocar toda a minha experiência pessoal e vivência daquilo que ele fez. Ele foi um modelo de santidade. Eu nunca conheci um padre que fizesse o que ele fazia. Confessava oitenta, cem pessoas por dia, ia às comunidades a cavalo, celebrava missa, fazia batizados, funerais, casamentos e crismas quando o bispo não podia ir", afirmou.

Segundo o escritor, o sacerdote percorria dezenas de comunidades rurais, muitas vezes enfrentando horas de viagem para atender os fiéis.

"Ele foi um modelo de bom pastor. Cuidou das suas ovelhas como Jesus. O padre Nazareno foi o bom pastor que cuidou de todas as suas ovelhas", declarou.

Convivência de mais de duas décadas

Piva afirma que sua família também conviveu intensamente com o sacerdote.

"Praticamente convivi com o padre Nazareno desde 1984 até o falecimento dele. Meus filhos passavam o mês de dezembro inteiro em Jauru. A única condição era participar da missa todos os dias. Eles tiveram uma formação pessoal extraordinária", contou.

O amigo pessoal do religioso recorda ainda que o padre trabalhava praticamente sem descanso.

"Ele ia dormir à meia-noite e acordava às quatro da manhã. Trabalhava e rezava, trabalhava e rezava. Deu a vida mesmo. Trabalhava por cinco padres. Cada dia estava em uma comunidade diferente", disse.

O atentado e o perdão ao assassino

Um dos relatos mais marcantes do escritor diz respeito aos últimos dias de vida de padre Nazareno, baleado dentro da própria casa.

Reprodução/Montagem GD

(foto reprodução)

Piva acompanhou sua transferência para São Paulo e esteve ao lado do sacerdote no hospital.

"Perguntei: 'Você perdoou o matador?'. E ele respondeu: 'Perdoei. Jesus ensina: perdoai os vossos inimigos'", relembrou.

Segundo ele, na mesma conversa perguntou se o padre via Nossa Senhora.

"Ele respondeu: 'Vejo Nossa Senhora'. Para mim, foi a confirmação de que ela veio prepará-lo para o céu", afirmou.

"Ele incomodava muito o mal"

Na avaliação de Piva, o assassinato foi consequência direta da atuação pastoral de Nazareno.

"Ele foi fidelíssimo e esta foi a razão da sua morte. Incomodou muito o mal. Não conseguiam colocar casas de prostituição e casas de baile em Jauru. Ele cuidava dos jovens, das famílias e realmente deu tudo o que tinha", declarou.

Segundo o escritor, o sacerdote permanecia até a madrugada acompanhando jovens para afastá-los da violência e das drogas.

"O legado dele é a santidade, o amor a Jesus Eucarístico e uma grande devoção a Nossa Senhora", resumiu.

Beatificação considerada rápida

Otávio acredita que o reconhecimento da Igreja aconteceu em tempo relativamente curto diante da história da instituição.

"Podemos dizer que foi uma beatificação muito rápida. Em geral, beatificações e canonizações levam muitos anos. A dele foi rápida porque ele é um santo dos tempos atuais", afirmou.

Ele contou que, durante a peregrinação realizada para a cerimônia, ouviu de diversos sacerdotes um testemunho que o marcou.

"Os padres disseram: 'Olhando a vida do Padre Nazareno, nós estamos revendo o nosso sacerdócio. Precisamos ser mais santos'. Essa é a lição que ele deixa para todos nós."

Livro ganhou novo capítulo

A beatificação também alterou os planos da publicação da biografia.

Segundo Piva, o livro estava praticamente concluído, mas precisou ser atualizado para incluir todo o processo vivido pela Igreja até a proclamação do novo beato.

"O livro já estava escrito. Faltava apenas um capítulo: a beatificação. Vou contar tudo o que vivi, todas as experiências desse momento", explicou.

Sua expectativa é que a obra ajude novas gerações a conhecerem o legado do sacerdote.

"Espero que todos que possam ler esse livro sigam o caminho do Padre Nazareno. Ele não chegou à glória de Deus com as mãos vazias. Chegou com numerosas almas salvas por meio do apostolado dele", concluiu.

O lançamento da biografia está previsto para outubro, sem data definida ainda.

FONTE/CRÉDITOS: Por Helena Werneck - Especial para o GDMorte - foto reprodução
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