Diretor de futebol do Flamengo, José Boto se manifestou nesta quinta-feira (1°) sobre a forma como impacta o clube a Medida Provisória do Governo Federal que proibiu a atividade de casas de apostas no Brasil e determinou o encerramento das atividades destas empresas em até 30 dias.
Segundo o dirigente, o Rubro-Negro tem feito encontros constantes para entender a maneira como poderão ser contornados os impactos financeiros da medida.
Ainda assim, Boto deixou claro que não há risco de que os salários de jogadores e funcionários do Flamengo sejam afetados até o fim da temporada.
“Desde que essa medida foi implementada temos reuniões diárias com o presidente. Estamos trabalhando com vários cenários. Nós assumimos compromissos contando com o dinheiro legal do contrato legal que tínhamos assinados. De repente, ficamos sem esse dinheiro. Estamos trabalhando nisso”, disse o português nesta quinta-feira, em entrevista coletiva.
“O que eu queria dizer é que mesmo no pior cenário nunca estará em risco os salários dos jogadores e dos funcionários. Isso nunca vai estar em pauta. Isso é sagrado. O que vai estar em pauta são os compromissos que assumimos com os outros clubes. E é neste cenário que estamos trabalhando”.
“Nos piores cenários, que pode ter a venda de alguns jogadores e a não reposição. E garantir que nunca vai acontecer que a gente atrase os salários dos jogadores e dos funcionários”.
Em entrevista à Flamengo TV, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, reclamou da medida provisória do Governo que suspendeu as atividades de casas de apostas (bets) no Brasil.
O dirigente afirmou que havia traçado o planejamento financeiro do Rubro-Negro contando com o dinheiro prometido por patrocinadores como a Betano, dona do máster da camisa rubro-negra.
“É uma das coisas que podem acontecer: ter que vender jogadores para pagarmos os compromissos que temos”, reconheceu Boto. “Nós não vamos ficar devendo os compromissos que temos que pagar”.
O dirigente fez ainda um alerta sobre a possibilidade de perda de competitividade dos clubes brasileiros em relação a concorrentes do futebol sul-americano caso a medida permaneça.
“O Flamengo teme uma perda de competitividade para os próximos anos, mas os outros clubes também. Se o Flamengo está preocupado, os outros clubes também deviam estar muito preocupados com essa situação. Isso vai, com certeza, abaixar a qualidade e a competitividade do futebol brasileiro. E, se calhar, daqui a três anos, ao invés de termos três times brasileiros nas semifinais da Libertadores, vamos ter três times argentinos. O dinheiro que eles não gastam aqui, vão colocar na Argentina, é óbvio”.
Como a ESPN publicou, o Flamengo ingressou com ação no Superior Tribunal Federal (STF) para expor os impactos financeiros que a Medida Provisória que proíbe a atividade de casas de apostas no Brasil.
Em nota oficial, o Flamengo argumenta que a “iniciativa tem por objetivo contribuir tecnicamente para o debate, apresentando à Suprema Corte os impactos concretos da medida sobre o esporte brasileiro, especialmente quanto ao financiamento das modalidades esportivas, aos contratos em vigor e à segurança jurídica”.
O que pensam os outros clubes?
A ESPN apurou que, ao contrário da atitude do Flamengo, outros clubes do futebol brasileiro não discutem no momento uma ida ao STF. A reportagem pôde saber, por exemplo, que o fato não foi sequer discutido na reunião entre equipes paulistas, ocorrida na Federação Paulista de Futebol, na última segunda-feira (28).
A reportagem soube ainda que houve um amplo debate entre os clubes para entender os impactos do ocorrido, mas ainda com grande dúvida por parte das equipes, principalmente com relação aos próximos passos.
Os clubes grandes do estado sabem que os menores vão sofrer mais financeiramente com a MP e estudam o que fazer no futuro próximo.
A MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê que as chamadas 'bets' devolvam valores em conta para apostadores até as 23h59 do dia 5 de outubro.
A partir do dia seguinte, ou seja, 00h00 de 6 de outubro, sites e apps das plataformas saem do ar, e a operação passa a ser proibida.
Ainda na última segunda-feira, a Advocacia-Geral da União levou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de manifestação em até 72 horas após ações apresentadas pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
O argumento central é de que a medida foi publicada sem demonstração de urgência e sem apresentar uma estimativa do impacto orçamentário e financeiro para dimensionar os custos dessa interrupção.
A medida provisória entrou em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para continuar válida. Já o projeto de lei só poderá ser aplicado após análise e aprovação dos parlamentares.
Veja abaixo a nota oficial do Flamengo sobre a ida ao STF:
O Clube de Regatas do Flamengo esclarece que requereu ao Supremo Tribunal Federal seu ingresso, na qualidade de amicus curiae, na ADI nº 8.027/DF, que discute a constitucionalidade da Medida Provisória nº 1.394/2026. O pedido foi formulado para que o Clube possa contribuir tecnicamente com o debate, a partir da perspectiva concreta de uma das instituições esportivas diretamente impactadas pela medida.
A manifestação do Flamengo busca levar ao STF elementos relacionados aos efeitos da Medida Provisória sobre o financiamento do esporte brasileiro, os contratos de patrocínio atualmente em vigor, a manutenção de modalidades olímpicas e de formação, bem como sobre a segurança jurídica das relações constituídas sob o regime legal até então vigente. O Clube não pretende, com essa iniciativa, defender apenas um interesse contratual próprio.
Sua participação tem por finalidade contribuir para que a Suprema Corte possa avaliar, de forma ampla, as consequências concretas da alteração legislativa para todo o ecossistema esportivo, especialmente diante da dimensão e da rapidez dos efeitos previstos pela Medida Provisória.
O Flamengo reafirma que não se opõe à regulação do setor, inclusive ao seu aperfeiçoamento, mas entende que mudanças dessa magnitude devem observar os princípios constitucionais da segurança jurídica, da proteção da confiança e do fomento ao esporte, além de considerar os impactos sobre contratos e investimentos realizados sob as regras estabelecidas pelo próprio Estado.
Próximos jogos do Flamengo
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