Trabalhando nos bastidores para tentar minimizar uma grave crise financeira, o Corinthians terá problemas para tentar derrubar a suspensão de seis meses imposta pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para inscrição de atletas.
O clube foi punido pelo órgão da CBF no último sábado (18) após atrasar o pagamento de uma das 24 parcelas de cerca de R$ 8 milhões do acordo coletivo firmado em abril de 2025.
Enfrentando atrasos de pagamento dentro do próprio elenco, o clube apresentou à CNRD uma proposta para derrubar o ‘transfer ban’ nacional sugerindo que a parcela vencida no dia 17 de julho seja paga em 31 de agosto, assim como a antecipação do pagamento previsto para 17 de outubro “como prova de boa-fé”.
A 2ª janela de transferências no futebol brasileiro se encerra no dia 11 de setembro.
Entre as alegações esteve inclusive a queda de arrecadação por conta da parada no calendário nacional para a Copa do Mundo.
As dívidas do Corinthians no CRND somam R$ 75 milhões em valores corrigidos, com parcelas trimestrais para o pagamento em 6 anos.
O pedido feito pelo Corinthians à CNRD gerou incômodo entre credores, principalmente com o Cuiabá. O clube do Mato Grosso, que antes do início dos pagamentos tinha cerca de R$ 18 milhões a receber do time paulista pela contratação do volante Raniele, se manifestou após o pedido feito pelo timão ao órgão da CBF.
“Manter a sanção enquanto não sobrevier o efetivo pagamento não causa qualquer prejuízo indevido ao Requerente. Basta que o devedor pague o que deve, na forma e no prazo a que se obrigou, para que a questão se resolva. O que não se admite é a inversão da ordem natural das coisas, com a liberação do devedor antes e independentemente do adimplemento”, citou o clube em documento levado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas.
Em dura crítica à postura alvinegra no processo, o Cuiabá alega que o Corinthians “busca revestir seu inadimplemento de um verniz de boa-fé, alegando que comunicação prévia da impossibilidade de pagamento e a proposta de quitação conjunta configurariam conduta leal para com os credores”.
“Comunicar previamente que não se pagará não equivale a pagar. A obrigação assumida pelo Requerente perante esta Câmara e perante os credores é de adimplemento pontual, e não de mera notificação de futuro inadimplemento”, cita ainda a manifestação do clube, avançando que o novo atraso “não é um episódio isolado”.
“Como já reconhecido nos próprios autos, o Requerente [Corinthians] atrasou parcela em outubro de 2025, tendo esta Câmara, à época, condicionado a liberação à alteração de comportamento. O que agora se verifica é a repetição do mesmo padrão: novo vencimento, novo inadimplemento, nova tentativa de postergar a obrigação”, ampliando ainda que “trata-se de devedor contumaz, cuja postura reiterada de inadimplemento não pode ser tratada como mero contratempo operacional”.
Além do Dourado, o acordo comtempla pendências com empresários como André Cury, Paulo Pitombeira e Marcelo Robalinho, além do ex-meia Jadson e atletas ainda em atividade como o zagueiro Fabian Balbuena e o atacante Roger Guedes.
Há ainda pendências com clubes como o Grêmio Osasco e o modesto Sociedade Esportiva Palmeirinha.
“A boa-fé que se exige do devedor em um plano coletivo se demonstra com o pagamento, e não com sucessivas propostas de reescalonamento apresentadas às vésperas de cada vencimento".
Na manifestação, o Cuiabá pediu à CNRD que mantenha a penalidade aplicada ao Corinthians com a sanção de proibição de registro de novos atletas por seis meses.
Entre outros pontos, como aplicação de juros sobre a parcela que não foi paga, o Dourado quer que “caso se entenda pela possibilidade de suspensão da sanção, que tal suspensão somente produza efeitos após a comprovação do efetivo ingresso dos valores na esfera dos credores, e não mediante mera promessa de pagamento futuro”.
O Corinthians sofreu para conseguir antecipar o fim da sanção da CNRD após também atrasar pagamentos em outubro de 2025. O clube repetiu a estratégia de também antecipar o valor do vencimento seguinte para convencer o órgão apenas em janeiro de 2026.
Além da punição interna, o Corinthians ainda soma outros dois ganchos na Fifa: o primeiro deles pelo não pagamento ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela aquisição do meio-campista José Martínez, no valor de R$ 7,7 milhões.
O segundo por conta de uma condenação por dívidas em relação a três multas julgadas pela Fifa: José Martinez, Charles e Talles Magno.
Outras duas punições podem acontecer também no âmbito da Fifa. A primeira com relação ao volante Charles, já que o Timão tem uma dívida na casa dos R$ 6 milhões com o Midtjylland, da Dinamarca, pela compra do meio-campista.
A equipe dinamarquesa já poderia, inclusive, ter incluído um novo ban ao Corinthians, mas ainda não o fez, o que viria a ser uma terceira punição.
E, por fim, no dia 1° de junho, o clube foi condenado em USD 850 mil (cerca de R$ 4,3 milhões) pela prorrogação do empréstimo de Talles Magno, do New York City FC.
Com os juros de 15% ao ano a partir de 2 de agosto de 2025 e multa de USD 90 mil, a dívida supera agora os R$ 5 milhões.
Veja abaixo a lista original das dívidas que fazem parte do acordo coletivo do Corinthians com a CNRD (em valores da época da aprovação):
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Link Assessoria Esportiva - R$ 19 milhões + 350 mil euros
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Cuiabá Esporte Clube - R$ 18 milhões
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Jadson - R$ 13 milhões
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Balbuena - R$ 4,4 milhões
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Think Ball - R$ 3,5 milhões
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José Parrales - R$ 2,5 milhões
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All Soccer Marketing Esportivo - R$ 1,7 milhão
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Grêmio Osasco - R$ 1,6 milhão
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Renato Bittar Arrellaga - R$ 1,5 milhão
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Ferreira Representações Profissionais - R$ 1,4 milhão
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FMS Gestão Esportiva - R$ 1,4 milhão
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Daisy Valeria Ferreira Brandino - R$ 1,4 milhão
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Criciúma Esporte Clube - R$ 1 milhão
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DB Sports - R$ 1 milhão
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Magnitude Brazil Esportes - R$ 600 mil
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Manuel Damásio Garcia - R$ 285 mil
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Left Sports do Brasil - R$ 250 mil
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Sociedade Esportiva Palmeirinha - R$ 48 mil
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Esporte Clube União Suzano - R$ 42 mil
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