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Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026
MP expõe abandono e cobra acessibilidade em prédios públicos de Jauru.

Justiça

MP expõe abandono e cobra acessibilidade em prédios públicos de Jauru.

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Rampas fora dos padrões, banheiros sem adaptação, calçadas irregulares, ausência de piso tátil e falta de equipamentos de combate a incêndio estão entre os problemas encontrados em nove prédios públicos de Jauru, a 408 km de Cuiabá. As irregularidades atingem estruturas utilizadas diariamente pela população, como escolas, unidades de assistência social, secretarias e a própria sede da Prefeitura.

Diante das condições identificadas, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ingressou com uma ação civil pública contra o Município para exigir a adequação dos imóveis às normas de acessibilidade e segurança. O processo foi distribuído à Vara Única de Jauru na última segunda-feira (24.08).

As constatações são resultado de inspeções realizadas entre 1º e 6 de julho deste ano. Segundo o MPMT, os fiscais encontraram obstáculos que dificultam ou impedem a circulação de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de falhas relacionadas à prevenção e ao combate a incêndios.

Entre as situações apontadas estão ausência de vagas reservadas, instalação inadequada ou inexistente de piso tátil, banheiros sem adaptação, rampas em desacordo com os padrões técnicos, desníveis, calçadas irregulares e obstáculos em áreas de circulação.

Também foram identificados imóveis sem extintores, iluminação de emergência ou sinalização das rotas de fuga. De acordo com o Ministério Público, parte desses problemas já havia sido constatada em inspeções realizadas em 2022 e continuava sem solução.

Rampas fora dos padrões, banheiros sem adaptação, calçadas irregulares, ausência de piso tátil e falta de equipamentos de combate a incêndio estão entre os problemas encontrados em nove prédios públicos de Jauru,

(foto reprodução)

Situação dos imóveis

Na Escola Municipal Lourdes Maria de Lima, apesar da existência de dois banheiros acessíveis, foram encontradas rampas inadequadas, escadas e obstáculos à circulação. O relatório também apontou problemas no piso tátil, além da ausência de extintores e sinalização luminosa de emergência.

Na Creche Municipal Elza Carrijo Pavini Lima, o acesso interno e o banheiro adaptado foram considerados adequados. Por outro lado, a unidade apresentaria problemas na sinalização das vagas destinadas a pessoas com deficiência e na instalação do piso tátil. Os extintores também estariam vencidos e com os lacres rompidos.

A Escola Municipal Maria Soares de Souza Lima não teria vaga reservada para pessoas com deficiência. O piso tátil estaria instalado apenas parcialmente e fora dos padrões técnicos. Também foram apontadas falhas na sinalização de emergência e nos equipamentos de combate a incêndio.

No Centro de Convivência do Idoso, o MPMT identificou ausência de vaga acessível, banheiro adaptado, piso tátil, iluminação de emergência e extintores. As calçadas também estariam fora dos parâmetros de acessibilidade.

Já no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), foram encontrados obstáculos físicos e ausência de piso tátil, vaga reservada, iluminação de emergência e equipamentos de combate a incêndio. Embora exista banheiro adaptado, o caminho até o espaço não seria totalmente acessível.

As Secretarias Municipais de Obras e de Meio Ambiente também foram incluídas no levantamento. Conforme a ação, os dois prédios não apresentam adaptações mínimas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e possuem falhas relacionadas aos equipamentos de combate a incêndio e à sinalização de emergência.

Na Secretaria Municipal de Educação, os fiscais apontaram desníveis que dificultam a circulação, além da ausência de equipamentos mínimos de segurança contra incêndio.

Na sede da Prefeitura, foram identificados problemas como falta de vagas reservadas e piso tátil, banheiros inadequados, desníveis e calçadas fora dos parâmetros previstos pela NBR 9050, norma que estabelece critérios de acessibilidade. O prédio também não teria iluminação de emergência nem extintores.

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(foto reprodução)

Problemas são acompanhados desde 2017

A situação dos prédios municipais é acompanhada pelo Ministério Público desde 2017. Em 2021, a investigação foi desmembrada e passou a tramitar por meio do Inquérito Civil nº 000473-062/2021, especificamente para verificar as condições dos nove imóveis.

Segundo o MPMT, o Município foi notificado naquele ano para informar se as estruturas atendiam às normas de acessibilidade, mas não apresentou resposta. Em setembro de 2025, o Ministério Público também teria buscado uma solução por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Conforme consta na ação, contudo, o Município não teria se manifestado.

Ainda segundo a petição, posteriormente o procurador municipal informou sobre projetos para uma futura reforma da sede da Prefeitura e sobre a busca de recursos. O Ministério Público afirma, porém, que não foram apresentados documentos que comprovassem a disponibilidade financeira, a realização de licitação ou outras medidas concretas para solucionar as irregularidades.

MP pede adequações em até 90 dias

Na ação, o Ministério Público pediu que a Justiça determine ao Município, em caráter de urgência, prazo de até 90 dias para apresentar um diagnóstico atualizado das condições dos nove prédios. Caso o pedido seja acolhido, a Prefeitura também deverá apresentar projetos de arquitetura e engenharia para as adequações, acompanhados de cronograma físico-financeiro, custos, etapas, previsão de conclusão e indicação das fontes de recursos. O MPMT ainda solicita a aplicação de multa diária em caso de descumprimento da eventual decisão judicial.

Ao final do processo, o órgão pede que o Município seja obrigado a eliminar as barreiras arquitetônicas e implementar medidas como vagas reservadas, rotas acessíveis, rampas, banheiros adaptados, piso tátil e sinalização adequada. Também são cobradas adequações nas calçadas e instalação de iluminação de emergência, rotas de fuga e equipamentos de combate a incêndio.

O Ministério Público quer ainda que as normas de acessibilidade sejam observadas em futuras obras, reformas e ampliações realizadas pelo Município. A ação tem valor fiscal de R$ 1.621 e foi assinada pelo promotor de Justiça Eduardo Antônio Ferreira Zaque.

O documento analisado corresponde à petição inicial. Até o momento, não havia decisão judicial sobre o pedido de urgência nem manifestação da Prefeitura de Jauru registrada no processo.

OUTRO LADO

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Jauru para obter esclarecimentos sobre os apontamentos apresentados pelo Ministério Público de Mato Grosso e as medidas que estão sendo adotadas para solucionar as irregularidades.

Até o fechamento desta matéria, porém, não houve resposta aos questionamentos. O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura.

 

 

FONTE/CRÉDITOS: João Fraga/VGN - foto reprodução
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