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Quinta-feira, 16 de Julho de 2026

Geral

"O País que Exige Títulos no Futebol e Tolera Fracassos na Política"..

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A eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo provocou uma avalanche de críticas. Nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, nos programas esportivos e nas rodas de conversa, a cobrança foi dura e imediata. Jogadores foram chamados de incompetentes, mercenarios, o treinador teve seu trabalho questionado e dirigentes passaram a ser responsabilizados pelo fracasso.
No futebol, o brasileiro cobra resultado. E cobra com intensidade.

Mas essa mesma intensidade desaparece quando o assunto é a vida real.

Enquanto uma derrota em campo provoca indignação nacional, hospitais sem estrutura, escolas com dificuldades, insegurança nas ruas, corrupção, desperdício de dinheiro público e promessas eleitorais descumpridas raramente despertam a mesma mobilização popular.

É curioso observar que um gol perdido gera mais revolta do que uma consulta médica que demora meses para acontecer. Um pênalti desperdiçado recebe mais comentários do que uma escola sem professores suficientes. Um técnico é demitido em poucos dias por maus resultados, enquanto muitos gestores públicos permanecem anos sem entregar aquilo que prometeram durante a campanha eleitoral.

No futebol, o torcedor exige desempenho, planejamento, competência e resultados. Quando eles não aparecem, a cobrança é severa.
Na política, muitas vezes, parte da sociedade se contenta com discursos, justificativas e promessas renovadas a cada eleição. Alguns esquecem rapidamente o que foi prometido e muitas vezes esquecem até em quem votou na última eleição, deixam de acompanhar o mandato dos eleitos e, não raras vezes, repetem o voto sem uma análise crítica do desempenho de quem administrou recursos públicos que pertencem a todos nós.

Não se trata de diminuir a importância do futebol. Muito pelo contrário. O futebol é uma paixão nacional, movimenta emoções, une famílias e representa parte da identidade do povo brasileiro.

A reflexão é outra.

Se tivéssemos com nossos representantes políticos apenas uma parte da exigência que temos com nossa seleção, talvez convivêssemos com serviços públicos melhores, mais transparência na administração, maior responsabilidade com o dinheiro público e uma sociedade mais participativa.

Democracia não se fortalece apenas no dia da eleição. Ela se fortalece diariamente, por meio da fiscalização, da cobrança, da participação popular e da responsabilidade de cada cidadão.
A Copa termina. A vida continua.

A eliminação da Seleção certamente será superada. Outra geração surgirá, novos jogadores aparecerão e novas esperanças nascerão.
Mas os problemas da saúde, da educação, da segurança pública e da infraestrutura não serão resolvidos apenas com esperança. Eles dependem de uma sociedade que cobre seus governantes com a mesma paixão, firmeza e perseverança com que cobra um time de futebol.

Talvez o maior aprendizado desta Copa seja justamente esse: não basta sermos torcedores exigentes. Precisamos ser cidadãos igualmente exigentes.

Porque um jogo dura noventa minutos.

As consequências de um voto sem critério e de uma má gestão pública podem durar anos com consequências desastrosas pra todos nós, sobretudo para as pessoas que mais necessitam de um governo competente e comprometido com a população que pagam seus salários!!!

MARCELO GERALDO COUTINHO HORN, advogado e professor universitário (DIREITO/UNEMAT), Especialista em Direito Público, Mestre em Direito e Doutor em Linguística. ([email protected])
Instagram: @marcelo_horn

FONTE/CRÉDITOS: Marcelo Geraldo Coutinho Horn
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