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Domingo, 31 de Maio de 2026
MORTE NA ESCOLA.

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MORTE NA ESCOLA.

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Mais morte na escola brasileira. Morte que não pode ser computada de forma simples. A professora esfaqueada pelo próprio aluno é a explosão de uma bomba que certamente já estava armada. Violência, ansiedade, abandono, bullying, enfim, esse conjunto de problemas atinentes à saúde mental está sendo escondido ou desprezado pela gestão pública e privada. Não quero dizer que o agressor é uma vítima. O agressor há de ser processado e punido. No entanto, temos a obrigação de projetar situações futuras similares. Daí a pergunta: como tratamos da enorme ansiedade a que estamos submetidos? Há algum tipo de programa nas escolas?

Não sou especialista no tema. Portanto, vou me restringir ao que leio na mídia. Antes de qualquer medicação, tudo indica que exercícios físicos e acompanhamento psicanalítico podem fazer diferença para todos nós. Essa programação dirigida para a saúde mental passa longe do ensino, o que é um grande equívoco. O ambiente escolar reflete o que há no entorno porque, ao contrário do que ingenuamente se imagina, a escola não está à parte. A escola faz parte! É na escola em que é possível questionar, consolidar ou rechaçar determinados modelos que estão normalizados no cotidiano familiar.

 

As palestras de conscientização funcionam? Claro. Ouvir sempre ajuda. Mas falar ajuda ainda mais. A escola deve ensinar a viver. E os profissionais da educação estão incluídos nesse aprendizado. O preocupante índice de afastamento de docentes se relaciona diretamente com afetação da saúde mental. Como suporte, quase nenhuma alternativa é oferecida. Inevitavelmente, teremos mais episódios de violência física ou verbal, além do rendimento escolar derruído. O “esquisitão” precisa ser enxergado com extrema delicadeza e profissionalismo, seja quem for, professor, aluno ou qualquer outro colaborador da escola.

Há indícios de problemas. Patologias deixam rastros perceptíveis. Não raramente, as repentinas variações de humor, rompantes de violência ou grave apatia, alheamento das aulas e dos amigos, queda brusca de desempenho, dificuldade de convívio… Mas a quem recorrer? Como abordar sem ser invasivo? Como discernir o que pode ser problemático de uma simples extravagância juvenil? Não sei. Mas há quem saiba. De certo mesmo há uma conclusão: a saúde mental precisa deixar de ser um tabu. Das carências de variados aspectos, todas muito humanas, somente uma parte delas será contemplada. Algumas, porém, merecem atenção profissional.

Não é muito difícil prever que, num futuro próximo, o luto aumentará. À míngua de programas acessíveis de saúde mental, considerando a visão da escola como ambiente apartado e meramente informativo, outros episódios violentos serão noticiados. Não só nas escolas, aliás. O avanço na tecnologia foi um salto para o qual a humanidade não estava (e ainda não está) preparada. Essa enorme onda de ansiedade causada pela transformação na percepção espaço-temporal está nos adoecendo. As crianças e os adolescentes são os primeiros afetados. Inevitavelmente, sentiremos em breve os efeitos da desatenção e do preconceito com os cuidados que a saúde mental demanda. Infelizmente.

Eduardo Mahon é advogado, doutor em estudos literários, membro da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

FONTE/CRÉDITOS: Eduardo Mahon
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