Você já parou para pensar por que foi necessário criar um curso específico de Engenharia Florestal no Brasil? Afinal, outras formações já consolidadas não seriam suficientes para atender às diversas demandas relacionadas às florestas?
A resposta está na complexidade dos ecossistemas florestais, que exigem conhecimentos especializados para seu manejo, conservação e uso sustentável. Cada intervenção depende de sólida formação técnica, visão sistêmica e responsabilidade com as gerações futuras.
O dia 12 de julho homenageia São João Gualberto, monge italiano falecido em 1073, reconhecido por sua dedicação ao cultivo e à proteção dos bosques.
A origem da Engenharia Florestal no Brasil está diretamente ligada à necessidade de administrar os recursos florestais diante da intensa exploração ocorrida ao longo do século XX.
Tornou-se indispensável formar profissionais preparados para planejar, manejar, conservar e recuperar esses ecossistemas.
Nesse contexto, o governo brasileiro criou, em 1960, a primeira Escola Nacional de Florestas, em Viçosa (MG), vinculada à então Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, atual Universidade Federal de Viçosa (UFV), com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Em 1963, a escola foi transferida para Curitiba, dando continuidade à formação de engenheiros florestais na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O engenheiro florestal é o profissional legalmente habilitado para atuar no planejamento, manejo, conservação, recuperação e uso sustentável dos recursos florestais. Sua atuação abrange o inventário florestal, a silvicultura, a avaliação de ecossistemas, a produção e a pesquisa de sementes e mudas, o geoprocessamento, a tecnologia da madeira e o desenvolvimento de produtos e serviços florestais.
A Engenharia Florestal desempenha papel estratégico no desenvolvimento e no ordenamento territorial e ambiental do Brasil. A profissão contribuiu para a evolução da política florestal brasileira, participando do aperfeiçoamento do Código Florestal de 1965, que sucedeu o de 1934, e da consolidação de práticas como o manejo florestal sustentável e a exploração de impacto reduzido, substituindo métodos empíricos por técnicas fundamentadas no conhecimento científico.
A criação dos cursos de Engenharia Florestal impulsionou a pesquisa no país. Avanços no melhoramento genético, no controle fitossanitário, nas práticas silviculturais e nas técnicas de plantio elevaram a produtividade do setor. Hoje, desafios como o desmatamento ilegal, os incêndios florestais, a degradação ambiental e as mudanças climáticas reforçam a importância de profissionais cada vez mais qualificados.
Mato Grosso possui mais de cinco milhões de hectares de florestas manejadas, com atuação direta de engenheiros florestais na elaboração, execução e monitoramento dos Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) e em diferentes etapas da cadeia produtiva da madeira.
Esses profissionais também atuam em órgãos públicos, instituições de ensino e pesquisa, consultorias, organizações ambientais e empresas do setor.
O Estado conta atualmente com cursos de Engenharia Florestal em Cuiabá, Alta Floresta, Sinop e Cáceres, responsáveis pela formação de novos profissionais que atuarão na gestão, na conservação e no uso sustentável dos recursos florestais.
Há mais de 45 anos, a Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF) atua na valorização da profissão, na defesa do exercício profissional e no fortalecimento do manejo florestal responsável, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso.
Neste 12 de julho, celebramos os profissionais dedicados à gestão de um dos maiores patrimônios naturais do Brasil: as florestas. Valorizar o Engenheiro Florestal é reconhecer a importância de quem alia conhecimento técnico, responsabilidade ambiental e compromisso com o desenvolvimento sustentável.
Cícero Ramos é engenheiro florestal e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais-AMEF.
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