A Copa do Mundo de 2026 ainda não terminou. As melhores seleções seguem na disputa pelo título, mas o Brasil já ficou pelo caminho. A derrota para a Noruega nas oitavas de final interrompeu mais uma campanha cercada de expectativas e devolveu ao torcedor a velha sensação de que tradição, por si só, não vence campeonato.
Na política, a lógica costuma ser a mesma.
Enquanto o Mundial caminha para sua reta decisiva, Mato Grosso se aproxima de um confronto que poderá influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026. Entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, partidos e federações realizam suas convenções. No calendário eleitoral, trata-se de uma etapa formal. No União Brasil, porém, a convenção marcada para o dia 30 de julho ganhou dimensão de decisão.
O motivo é simples.
O que será definido naquele encontro vai muito além da escolha de um candidato ao Governo do Estado.
Estará em disputa o comando político do União Brasil no momento em que o ciclo administrativo de Mauro Mendes se aproxima do fim.
Por isso, enxergar a disputa apenas como um embate entre Mauro Mendes e Jayme Campos é reduzir o tamanho da discussão.
Os dois não disputam o mesmo cargo.
Disputam a liderança do maior grupo político de Mato Grosso para o período pós-2026.
Jayme Campos representa a corrente que defende protagonismo para a legenda. Um dos principais líderes históricos do União Brasil no estado, sustenta que o partido deve lançar candidatura própria ao Governo e disputar diretamente o Palácio Paiaguás.
Mauro Mendes pensa diferente.
Na condição de presidente estadual do União Brasil, trabalha para manter a legenda integrada ao grupo político liderado pelo governador Otaviano Pivetta, defendendo a continuidade da atual base governista.
A divergência, que antes era tratada nos bastidores, tornou-se pública.
No início deste mês, Jayme Campos elevou o tom ao afirmar que Mauro Mendes deveria deixar a presidência estadual do União Brasil. Segundo o senador, o ex-governador não estaria fortalecendo a própria legenda e estaria privilegiando outras siglas durante as articulações políticas para as eleições de 2026.
Foi uma crítica direta à condução partidária e um recado de que, para Jayme, o União Brasil estaria abrindo mão do protagonismo que deveria exercer no processo eleitoral.
Dias depois, o confronto ganhou um novo capítulo.
O deputado estadual Júlio Campos, irmão do senador, afirmou que Mauro Mendes e seu grupo foram expulsos do PSB e encontraram abrigo no então Democratas, legenda que posteriormente deu origem ao União Brasil. A declaração buscou reforçar que a história da sigla em Mato Grosso foi construída muito antes da chegada do atual presidente estadual.
Mauro Mendes respondeu sem personalizar o debate.
Em vez de rebater as críticas com ataques, lançou um desafio político. Defendeu que fossem comparados os resultados eleitorais obtidos pelo União Brasil sob sua presidência com aqueles alcançados quando o grupo liderado por Jayme Campos comandava a legenda. Para Mauro, o crescimento da representação política do partido demonstra qual grupo conseguiu fortalecer efetivamente a sigla em Mato Grosso.
Quando o ambiente indicava uma escalada ainda maior da disputa, o próprio Jayme mudou o tom.
Nesta semana, afirmou não acreditar em qualquer tentativa de impedir sua pré-candidatura durante a convenção e declarou confiar que Mauro Mendes conduzirá o processo interno com transparência.
"Mauro não agiria dessa forma", disse o senador ao minimizar a possibilidade de sofrer uma articulação dentro do partido.
O gesto foi interpretado como uma tentativa de reduzir a temperatura do confronto às vésperas da convenção.
Mas seria um equívoco imaginar que isso representa o fim das divergências.
O debate continua vivo porque não gira apenas em torno de uma candidatura.
O que está em discussão é qual projeto comandará o União Brasil nos próximos anos.
Jayme defende um partido protagonista, com candidatura própria e autonomia política.
Mauro aposta na manutenção da aliança governista como estratégia para preservar influência e continuidade administrativa.
Assim como na Copa do Mundo, chega um momento em que história, tradição, pesquisas e favoritismo deixam de ter importância.
O resultado passa a depender apenas de quem consegue vencer a partida decisiva.
No dia 30 de julho, esse jogo será disputado pelos convencionais do União Brasil.
Eles decidirão se a legenda caminhará com Jayme Campos rumo à disputa pelo Governo ou se seguirá a estratégia construída por
Mauro Mendes em torno da candidatura de Otaviano Pivetta.
O Brasil já conheceu sua eliminação na Copa.
O União Brasil ainda jogará a sua partida mais importante.
E talvez ela seja, desde já, a primeira grande eleição de Mato Grosso em 2026.
*Mizael Duarte é Jornalista
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