A apreensão de uma carga de cocaína em Cáceres (MT) e Corumbá (MS) chamou atenção não apenas pelo volume estimado da droga, mas também pela forma incomum utilizada para escondê-la. Em vez de tabletes ou pacotes, a substância foi encontrada em estado líquido e misturada à própria estrutura da madeira transportada por oito caminhões interceptados na fronteira com a Bolívia.

(foto reprodução) - A operação, batizada de Timber Shield, reuniu equipes da Receita Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro e Grupo Especial de Fronteira (Gefron), além de contar com apoio de autoridades dos Estados Unidos e da Bolívia.
Como a cocaína foi armazenada na madeira
A apreensão de uma carga de cocaína em Cáceres (MT) e Corumbá (MS) chamou atenção não apenas pelo volume estimado da droga, mas também pela forma incomum utilizada para escondê-la. Em vez de tabletes ou pacotes, a substância foi encontrada em estado líquido e misturada à própria estrutura da madeira transportada por oito caminhões interceptados na fronteira com a Bolívia.
A operação, batizada de Timber Shield, reuniu equipes da Receita Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro e Grupo Especial de Fronteira (Gefron), além de contar com apoio de autoridades dos Estados Unidos e da Bolívia.
Como a cocaína foi armazenada na madeira

(foto reprodução) - Cocaína líquida estava armazenada em madeiras. – Foto: Gefron
Segundo a Receita Federal, a droga foi incorporada à carga de madeira por meio de um processo que altera a composição do material transportado. A técnica permite que a cocaína permaneça misturada à estrutura da madeira, dificultando a identificação durante inspeções de rotina em estradas, portos e postos de fronteira.
O método é considerado sofisticado e tem sido utilizado por organizações criminosas para driblar mecanismos de fiscalização. Como a carga mantém aparência semelhante à de um produto legalizado, a detecção exige análises mais aprofundadas e, muitas vezes, o uso de inteligência prévia.
Monitoramento começou antes da abordagem
A investigação teve início após o compartilhamento de informações entre autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia. Relatórios de inteligência apontavam a possibilidade de que uma grande remessa de madeira estivesse contaminada com cocaína líquida.
Com base nessas informações, equipes passaram a monitorar os caminhões que circulavam na região de fronteira. A fiscalização reforçada levou à interceptação de oito veículos carregados com aproximadamente 260 toneladas de madeira.
Quatro caminhões foram retidos em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).
Durante as inspeções, cães farejadores demonstraram comportamento incomum diante da carga, aumentando as suspeitas e motivando análises mais detalhadas.

(foto reproduação)
Testes indicaram presença da droga
Exames preliminares realizados pelas equipes de fiscalização apontaram indícios da presença de cocaína na madeira. A confirmação definitiva ainda depende dos laudos laboratoriais conduzidos pela Polícia Federal, responsável pela custódia dos caminhões e pela investigação.
Com base em apreensões semelhantes registradas anteriormente, a Receita Federal estima que entre 10% e 20% do peso total da carga possa corresponder à droga. Caso essa projeção seja confirmada, o volume apreendido pode variar entre 20 e 50 toneladas de cocaína.
Caso pode entrar para a história
(reprodução) - Se as estimativas forem comprovadas pelas análises periciais, a operação poderá resultar na maior apreensão de cocaína já registrada no Brasil e na segunda maior do mundo.
O esquema apresenta semelhanças com uma apreensão realizada no Chile no último dia 6, quando cerca de 100 toneladas de cocaína foram encontradas utilizando o mesmo método de infiltração da droga em madeira oriunda da Bolívia.
Informações compartilhadas por autoridades norte-americanas indicam que as duas ocorrências podem estar ligadas a um mesmo centro de produção boliviano.
Enquanto as investigações avançam, os caminhões carregados com madeira permanecem apreendidos no pátio da Receita Federal.
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