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Sabado, 10 de Outubro de 2026
A democracia venceu. Até quando?.

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A democracia venceu. Até quando?.

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No domingo, 4 de outubro, 125.275.835 brasileiras e brasileiros compareceram às 499.248 seções eleitorais e votaram para escolher nossos novos governantes e representantes. Nenhum incidente grave aconteceu.

Em poucas horas, foram divulgados os resultados e conhecidos os eleitos e aqueles que irão disputar o segundo turno para a presidência e alguns governos estaduais. Nenhuma contestação. Nenhuma denúncia de fraude.

Considero este fato uma vitória expressiva da democracia brasileira e de nossa Constituição Cidadã. Quantos países podem apresentar o espetáculo de eleições muito disputadas, porém civilizadas? Neste mesmo ano de 2026, houve pelo mundo eleições com partido quase único ou cujos resultados demoraram dias ou semanas para serem apurados.

Esta vitória é resultante do trabalho e da luta de gerações de brasileiros, no passado e no presente. A todos, rendo a minha homenagem e os meus parabéns.

Aos que lutaram contra a ditadura de 1964 e abriram o caminho para uma Constituição democrática. Aos que lutaram contra as fraudes eleitorais de diversas espécies e ajudaram a construir um sistema mais seguro de votação.

A todos os partidos políticos e candidatos que se dispuseram a participar das eleições e apresentar suas ideias e propostas.

Aos jornalistas e demais cidadãos que, profissionalmente ou não, contribuíram para o debate público com informações, análises e comentários.

Aos que trabalharam no processo eleitoral: juízes, servidores, mais de um milhão e meio de voluntários que atuaram como mesários e os agentes de segurança que garantiram a integridade do pleito.

E a todos os 125.275.835 eleitores que fizeram livremente suas escolhas.

Trata-se, portanto, de uma conquista coletiva e colaborativa de nosso povo. Um motivo de orgulho para o nosso país. Algo que devemos valorizar - e muito -, aprimorar e preservar.

As duas últimas décadas testemunharam retrocessos democráticos em diversas partes do mundo. Países democráticos foram, passo a passo, se convertendo em autocracias. Eleições passaram a sofrer restrições que comprometeram o seu caráter pluralista. Partidos extremistas se fortaleceram, com plataformas de intolerância e racismo. Madeleine Albright, ex-Secretária de Estado dos Estados Unidos, denunciou o fenômeno em seu livro “Fascismo: um alerta”, de 2018, mesmo ano da publicação do clássico “Como as democracias morrem”, de Levitsky e Ziblatt. Lamentavelmente, nem mesmo o país de origem desses autores está imune à captura e deterioração das instituições.

Assim, ao celebrar a grande vitória cívica que foi a realização das eleições brasileiras de 4 de outubro, devemos também renovar nossa profissão de fé na democracia e redobrar nossa resistência a quaisquer tentativas de desidratar os direitos e garantias fundamentais, políticos, sociais e ambientais, previstos na nossa Constituição. Como alertou Umberto Eco em “O Fascismo Eterno”, ao relatar a sua infância sob o regime de Mussolini, o fascismo não retorna declarando sua verdadeira identidade, mas disfarçado de liberdade, patriotismo, tradição e segurança.

Parabenizo os governadores, senadores, deputados federais e estaduais eleitos, desejando que todos tenham saúde, energia, lucidez e compromisso democrático para honrarem a confiança popular que conquistaram e terem sucesso no exercício de seus mandatos.

Viva a democracia!

Luiz Henrique Lima é professor e escritor

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Henrique Lima - foto reprodução
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