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Terça-feira, 29 de Setembro de 2026
Voo 1907 da Gol: acidente que matou 154 pessoas completa 20 anos em MT.

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Voo 1907 da Gol: acidente que matou 154 pessoas completa 20 anos em MT.

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Às 16h56 de 29 de setembro de 2006, dois aviões se chocaram no céu sobre o norte de Mato Grosso, dando início a uma das maiores tragédias da aviação brasileira. O Boeing 737-800 da Gol, que transportava 154 pessoas, colidiu com um jato executivo Legacy 600 na região da Serra do Cachimbo. Todos os ocupantes do avião comercial morreram.

Nesta terça-feira (29), 20 anos após o acidente, a tragédia do voo 1907 ainda permanece na memória dos familiares das vítimas e também deixou marcas na história da aviação brasileira. Uma disputa judicial relacionada ao seguro obrigatório pago após o acidente continua em andamento.

Voo 1907: Tragédia que matou 154 pessoas em MT completa 15 anos | G1

(foto reprodução)

Colisão aconteceu a 37 mil pés

O Boeing da Gol havia decolado de Manaus com destino ao Rio de Janeiro, com escala prevista em Brasília. O Legacy, de matrícula norte-americana, fazia o trajeto entre São José dos Campos (SP) e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos.

As aeronaves se encontraram a aproximadamente 37 mil pés de altitude, na região da Serra do Cachimbo.

Com o impacto, o Legacy perdeu parte da ponta de uma das asas, mas conseguiu permanecer sob controle e pousar na Base Aérea do Cachimbo, no sul do Pará. Os sete ocupantes sobreviveram.

O Boeing, porém, sofreu danos graves. Cerca de um terço da asa esquerda foi arrancado, a aeronave perdeu o controle e se desintegrou durante a queda em uma extensa área de floresta.

Busca mobilizou equipes na mata

A localização dos destroços deu início a uma grande operação de busca em uma região de mata fechada e de difícil acesso.

A Força Aérea Brasileira instalou uma base de operações na Fazenda Jarinã, a aproximadamente 40 quilômetros do local da queda. Indígenas da região também ajudaram nas buscas e no acesso à área onde os destroços estavam espalhados.

Para as famílias, começou uma longa espera pela localização e identificação dos corpos.

Entre as vítimas estava Valdomiro Henrique Machado, marido da psicóloga Neusa Felipetto Machado. Ela contou que ainda tinha esperança de encontrá-lo vivo quando recebeu, em 11 de outubro, a notícia de que o corpo havia sido localizado.

No dia seguinte, no IML de Brasília, Neusa reconheceu o marido por uma característica física conhecida pelo casal. Um ano depois, voltou à Fazenda Jarinã com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e participou de uma procissão até uma capela construída no local.

Gol 1907: tragédia levou a mudanças na aviação - 28/09/2026 - Cotidiano - Folha

(foto reprodução)

154 vidas interrompidas

Outra vítima foi o estudante de medicina Átila Antônio Assad Rezende, de 24 anos. Ele voltava de Manaus e faria conexão em Brasília antes de seguir para o interior de Goiás, onde viviam os pais.

Segundo relatos da família, Átila foi encontrado ainda preso pelo cinto de segurança à poltrona 5A.

Familiares das vítimas planejam se reunir nesta terça-feira (29) no Jardim Botânico de Brasília, onde há uma placa em homenagem aos 154 passageiros e tripulantes mortos no acidente.

Investigação apontou vários fatores

A investigação do acidente não atribuiu a colisão a uma única causa.

Entre os fatores apontados estavam problemas relacionados ao transponder do Legacy, equipamento que deixou de transmitir corretamente informações da aeronave. A falha comprometeu a identificação do avião e o funcionamento do sistema anticolisão TCAS.

Também foram identificadas falhas relacionadas às instruções de altitude e ao acompanhamento das aeronaves pelo controle de tráfego aéreo.

Em relação à tripulação do Boeing da Gol, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) não identificou falhas ativas que tivessem contribuído para a colisão.

A conclusão apontou uma combinação de fatores humanos, operacionais e relacionados ao controle do tráfego aéreo. O caso levou a recomendações para mudanças em procedimentos, treinamentos e atuação dos controladores.

Os dois pilotos norte-americanos que comandavam o Legacy foram condenados pela Justiça brasileira, mas não cumpriram pena no Brasil e vivem nos Estados Unidos.

Disputa judicial continua

info VOO GOL

(foto reprodução)- Vinte anos depois da tragédia, parte das famílias ainda acompanha uma disputa judicial envolvendo o seguro obrigatório de Responsabilidade do Explorador ou Transportador Aéreo (Reta).

A ação civil pública foi apresentada pelo Ministério Público Federal em 2008 para questionar os valores pagos às famílias. Segundo o processo, cada apólice resultou em pagamento de R$ 14.223,64, valor que estava congelado desde 1995, apesar da previsão de atualização pela inflação.

Neste mês, a ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reconheceu, em decisão monocrática, o direito dos beneficiários ao reajuste.

Segundo a decisão, a indenização corrigida pelos índices da Justiça Federal pode chegar a um valor quase dez vezes maior que o pago originalmente. A estimativa é de aproximadamente R$ 300 mil por família, mas os valores ainda precisam ser calculados. A decisão também pode ser contestada por meio de recurso.

A ação inclui ainda familiares das vítimas do voo TAM 3054, que caiu em Congonhas (SP) em 2007.

A Gol informou que não comenta processos judiciais em andamento e afirmou respeitar a memória dos passageiros e tripulantes do voo 1907. A companhia também declarou que concluiu os acordos de indenização com as famílias.

A Anac informou que analisa a decisão do STJ para avaliar eventual recurso.

Para os familiares, porém, a passagem de duas décadas não encerrou as consequências daquela tarde de setembro de 2006.

O acidente que aconteceu sobre a floresta mato-grossense deixou 154 mortos e marcou para sempre famílias de diferentes regiões do país. Vinte anos depois, a memória da tragédia permanece.

Tragédia que matou 154 pessoas em MT completa 15 anos

(foto reprodução)

FONTE/CRÉDITOS: Página Press - foto reprodução
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