Mato Grosso, maior produtor de grãos e detentor do maior rebanho bovino do país, também se destaca pela presença feminina em diferentes setores do agronegócio. Sete mulheres com atuação no Estado foram incluídas na segunda edição da lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, divulgada pela revista Forbes Brasil na última quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural.

(foto reprodução)
O reconhecimento reúne trajetórias que vão da gestão de grandes grupos empresariais à produção pecuária, passando pela agricultura indígena, pela comunicação e pelo aproveitamento sustentável dos recursos da floresta.
As representantes de Mato Grosso são Belisa Souza Maggi, Carmen Perez, Geni Caline Schenkel, Maria Cecília Zenezokemaero, Mônica Marchett, Natália Martins e Neiriane Taerik.
A seleção mostra que a influência feminina no agronegócio não se limita à administração de propriedades ou ao comando de empresas. Também está presente na formação de lideranças, na transferência de conhecimento, no desenvolvimento de práticas produtivas e na geração de renda para comunidades tradicionais.
Publicada pela primeira vez em 2021, a lista voltou a ser elaborada cinco anos depois. Para escolher as 100 mulheres, a Forbes considerou três critérios: poder de decisão, impacto das atividades desenvolvidas e capacidade de influência sobre outras pessoas.
A publicação não estabelece uma classificação de importância entre as selecionadas. Os nomes são apresentados predominantemente em ordem alfabética.
EMPREENDEDORISMO E GESTÃO – Uma das representantes de Mato Grosso é Belisa Souza Maggi, presidente da Fundação Amaggi, responsável pelos investimentos sociais de um dos maiores grupos do agronegócio brasileiro.
Neta de André e Lucia Maggi, fundadores do conglomerado, Belisa também é acionista do grupo e sócia-administradora da Agropecuária Pirapora.
A fundação, criada em 1997, em Sapezal, desenvolve projetos sociais em 67 municípios de nove estados. Belisa assumiu a presidência de seu conselho curador em 2018 e também atua em iniciativas voltadas à educação e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.

(foto reprodução) - Na pecuária, Carmen Perez ganhou reconhecimento por defender a associação entre produtividade e bem-estar animal.
À frente da Fazenda Orvalho das Flores, em Araguaiana, ela implantou mudanças no manejo do rebanho e na capacitação dos trabalhadores. Segundo os resultados apresentados pela Forbes, a mortalidade de bezerros caiu de 14% para 1,6% na última temporada.
Carmen também criou o curso Rebanho de Valor e desenvolveu produções audiovisuais destinadas a ampliar o debate sobre o tratamento dos animais nas propriedades rurais.
Outra empresária reconhecida é Mônica Marchett, presidente do Grupo Mônica, de Rondonópolis, e diretora da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).
Ela participou da expansão dos negócios familiares para a pecuária e apostou na integração entre lavoura, pecuária e floresta.
Atualmente, o grupo mantém atividades em aproximadamente 70 mil hectares no Brasil e na Bolívia e trabalha com um rebanho próximo de 25 mil bovinos, incluindo animais comerciais e de genética Nelore de elite.
NOVA GERAÇÃO – Em Cáceres, Natália Martins representa a continuidade de uma tradição familiar ligada à seleção genética de bovinos.
Integrante da sexta geração de pecuaristas da família, ela atua na gestão financeira e comercial da Fazenda Camparino, que trabalha com raças zebuínas e também com cavalos Quarto de Milha.
(Natália Martins, pecuarista de Cáceres. – Foto: reprodução)
Formada em Direito, Natália deixou a advocacia para participar dos negócios rurais. Ao lado do irmão, Matheus, dá continuidade ao trabalho do avô José Humberto Vilela Martins, referência na seleção de gado, que morreu em agosto deste ano.
Ela também utiliza as redes sociais para divulgar conhecimentos sobre pecuária e preservar a memória do avô, por meio do projeto Zezão Responde.
LIDERANÇA E REPRESENTATIVIDADE – A presença de Geni Caline Schenkel na lista destaca a importância das organizações femininas na aproximação entre o agronegócio e a sociedade.
Fundadora e presidente do Movimento Agroligadas, criado em Campo Verde, em 2018, Geni desenvolve ações de comunicação e educação sobre a produção rural.
O movimento reúne aproximadamente 3 mil mulheres, está presente em 100 municípios de 24 estados e estima ter alcançado mais de 2 milhões de pessoas com suas iniciativas.
A organização promove visitas de estudantes, professores e consumidores a propriedades rurais, buscando ampliar o conhecimento sobre as atividades desenvolvidas no campo.
MULHERES INDÍGENAS – Duas representantes de povos indígenas de Mato Grosso também foram reconhecidas pela Forbes, evidenciando formas de produção e organização econômica que nem sempre recebem a mesma visibilidade das grandes cadeias do agronegócio.
Maria Cecília Zenezokemaero, do povo Haliti-Paresi, tornou-se a primeira mulher de sua aldeia a conquistar o diploma de engenheira agrônoma.
Formada pelo Instituto Federal de Mato Grosso, em Campo Novo do Parecis, ela atua na assistência técnica a lavouras de algodão e na valorização da produção agrícola indígena.
Segundo a Forbes, comunidades Paresi cultivam aproximadamente 17 mil hectares de soja, milho, feijão e gergelim, ocupando cerca de 1% de seu território. A renda obtida com a atividade é distribuída entre as famílias.
Maria Cecília também participou da mobilização pelo licenciamento ambiental da produção agrícola indígena, obtido em outubro de 2025, após mais de duas décadas de reivindicações.
O reconhecimento representa um avanço para o acesso ao crédito e para a rastreabilidade da produção.
A outra liderança indígena é Neiriane Taerik, de 26 anos, primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho, na Terra Indígena Erikpatsa, em Brasnorte.
Integrante do povo Rikbaktsa, ela coordena uma iniciativa que reúne 12 aldeias e envolve diretamente 16 mulheres no beneficiamento da castanha-do-brasil.
Entre 2024 e 2025, o grupo comercializou 2,5 toneladas do produto, gerando oportunidades de renda a partir do aproveitamento dos recursos da floresta.
A associação integra o projeto Biodiverso, voltado ao fortalecimento da bioeconomia e à conservação ambiental.
RECONHECIMENTO – Ao reunir essas sete trajetórias, a lista da Forbes evidencia a diversidade da participação feminina na economia rural de Mato Grosso.
De um lado estão empresárias que administram propriedades, rebanhos e investimentos. De outro, profissionais que difundem conhecimento, organizam redes de mulheres e desenvolvem atividades econômicas em territórios indígenas.
O ponto comum é a capacidade de influenciar decisões e produzir resultados em suas áreas de atuação.
A escolha também chama a atenção para um desafio que permanece no agronegócio brasileiro: ampliar a presença feminina nos espaços de comando, nas entidades representativas e nos processos de decisão.
Em Mato Grosso, as sete selecionadas demonstram que essa participação já se manifesta em diferentes realidades, da grande empresa à agricultura indígena, da genética bovina à economia da floresta.
Mais do que o reconhecimento individual, a presença dessas mulheres na lista nacional ajuda a dar visibilidade a uma transformação em curso no campo mato-grossense.
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