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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
TI SARARÉ: Atividades de garimpo já degradaram mais de 4 mil campos de futebol.

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TI SARARÉ: Atividades de garimpo já degradaram mais de 4 mil campos de futebol.

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou que cerca de 4.200 hectares já foram impactados pela atividade de garimpo, que gera degradação ambiental, na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. A área é equivalente a mais de quatro mil campos de futebol. Uma operação de desintrusão na região foi lançada no último dia 25 de março e ainda está em andamento.

A ação do Governo Federal tem o objetivo de retirar garimpeiros ilegais e desmantelar estruturas utilizadas na exploração clandestina de ouro no território. A ação é conduzida de forma integrada por diversas instituições federais e busca devolver a posse da terra ao povo indígena Nambikwara, além de conter os impactos ambientais e sociais causados pela atividade ilegal.

A operação reúne instituições como o Ibama, o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério da Defesa, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional, a Casa Civil e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). 

Nos dois primeiros dias de incursões, 51 pessoas foram presas. Por razões operacionais, detalhes sobre efetivo e duração da ação não serão divulgados.

Atividades de garimpo já degradaram mais de 4 mil campos de futebol na TI Sararé

(foto reprodução) - Com cerca de 67 mil hectares, a Terra Indígena Sararé abriga o povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias, tem enfrentado crescente pressão do garimpo ilegal nos últimos anos. Atualmente, cerca de 4.200 hectares já foram impactados pela atividade, que provoca desmatamento, contaminação de cursos d’água e degradação ambiental.

Nesse cenário, o Ibama atua de forma contínua desde 2023 no combate ao garimpo ilegal na região, com ações estruturadas de fiscalização e repressão. Ao longo desse período, o Instituto realizou mais de 420 operações, resultando na desativação de aproximadamente mil acampamentos ilegais e na apreensão e inutilização de 513 escavadeiras hidráulicas utilizadas na atividade.

Somente na fase mais recente da Operação Xapiri-Sararé, conduzida pelo Grupo Especializado de Fiscalização Ambiental (GEF) com apoio da Polícia Civil de Goiás, foram apreendidas e inutilizadas 32 escavadeiras e destruídos caminhões, tratores e grandes volumes de combustível utilizados no garimpo.

No acumulado das ações, o Ibama também apreendeu e destruiu mais de 850 motores geradores, cerca de 150 mil litros de combustível, 85 veículos, além de mercúrio, ouro extraído ilegalmente, equipamentos de comunicação e armas de fogo. O prejuízo estimado às organizações criminosas ultrapassa R$ 700 milhões.

A estratégia adotada tem como foco a descapitalização e a desestruturação logística das atividades ilegais, com resultados já observados no território. Em 2025, houve redução de 24,2% na área impactada pelo garimpo em relação ao ano anterior, indicando a efetividade das ações de fiscalização e repressão.

Apesar desses avanços, a região continua sob forte pressão de grupos que atuam de forma ilegal e estruturada, com logística sofisticada e presença armada. A atividade representa um grave problema ambiental, social e de segurança pública, afetando diretamente as comunidades indígenas, que dependem dos recursos naturais para sua subsistência.

A desintrusão em curso integra esse esforço contínuo do Estado brasileiro, combinando operações de retirada de invasores com ações permanentes de fiscalização, para impedir a reocupação ilegal, proteger a biodiversidade e garantir a integridade do território indígena.

 

FONTE/CRÉDITOS: OLHAR DIRETO - FOTO REPRODUÇÃO
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