O ex-prefeito de Pontes e Lacerda e pré-candidato a deputado estadual, Alcino Barcelos (PL), criticou o deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos), gravado comemorando o fato de uma empresa que ele alega ser dono ter saído vencedora de uma licitação com o Governo do Estado. Horas depois da gravação viralizar, o parlamentar disse que vendeu a empresa para o irmão e que se referiu a ela como dono por força do háito. Barcelos defendeu vetar a participação de empreiteiras ligadas a políticos em obras municipais e estaduais.
Nas suas redes sociais, o ex-gestor publicou um vídeo no qual diz que essa situação apenas confirma os alertas que ele vinha fazendo. Barcelos e Moretto são rivais políticos e têm as mesmas bases eleitorais.
“Não precisa comentar, tá escrito, né? Desculpa, tá falado. Tá claro. Mas agora vou lembrar vocês quantas vezes eu falei de empreiteira aqui", disse no vídeo publicado nesta quinta-feira (19).
Ele também questionou a preferência por empreiteiras, citando sua experiência em Pontes e Lacerda, onde afirmou ter realizado a pavimentação e outras obras na cidade sem a necessidade de recorrer a essas empresas.
“Cês sabem o porque que empreiteira não gosta de mim. Pontes e Lacerda asfaltou tudo sem empreiteira, fizemo montão de obra sem empreiteira, pracinha sem empreiteira. Tudo baixa custo, preço justo, economizando, do jeito que a gente quer.”
O pré-candidato defende a “moralização” da máquina pública e o combate ao conflito de interesses. Nesse sentido, ele apoia a adoção de uma regra semelhante ao projeto de lei proposto pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT), apresentado após a polêmica envolvendo Moretto, que é proibir a participação, direta ou indireta, de pessoas físicas ou jurídicas em licitações, convênios, parcerias e demais instrumentos com a administração pública estadual quando houver conflito de interesses decorrente de vínculo familiar.
“Por isso nós temos que acabar com essa vergonha. Parente de quem tem mandato na mesma esfera, não pode ter obra contratada. E não é só irmão não, é irmão, é sobrinha, tio, segundo grau e tudo. Nós precisamos moralizar a máquina pública, seja do município, do estado e do governo federal.”
O ex-prefeito prometeu lutar pela mudança na legislação, caso eleito. “Não tem essa lei na Assembleia, mas se um dia nois tiver lá, vocês podem ter certeza. Vai ser uma das primeiras que nós vamos propor, tá bom? ‘Caboco’ escolhe: político ou empreiteiro [sic].”
Moretto nega
A polêmica surgiu após o vazamento de áudio na terça-feira (17) em que Moretto aparece comemorando efusivamente a assinatura de um contrato de licitação com o governo do Estado.
No registro, feito em Pontes e Lacerda, o deputado chega a dizer ao lado do governador Mauro Mendes (UNIÃO) que é dono de uma das empresas. “Quase R$ 200 milhões só aí”. Ao ser questionado por Mauro sobre as empresas vencedoras, ele responde: “duas [empresas], a Agrimat e uma a minha”. Em seguida, com satisfação, declara: “Tá autorizado!”.
Questionado pelos jornalistas na Assembleia na manhã desta quarta-feira (18), Moretto negou que a empresa seja dele atualmente e alegou que quem está à frente do negócio é o irmão. Segundo o parlamentar, a expressão "é minha" foi usada por "hábito e costume".
"Quando eu falei 'é minha', é pelo hábito e costume. A empresa Oeste venceu um dos três lotes (...) Teve a felicidade de vencer apenas um. E nesse lote, quando o governador me perguntou quais empresas venceu, eu falei, ó: ‘tem duas, que é da Agrimat, e um lote é minha. Quando eu falei 'minha', é porque eu vendi a minha empresa, eu participei dessa empresa desde o primeiro dia que ela existiu", detalhou.
O deputado reiterou que vendeu sua participação ao irmão em 2018, quando se elegeu. "Quando eu me elegi deputado estadual em 2018, eu vendi a cota que me pertencia ao meu irmão. Então eu deixei de ser dono da empresa desde 2018. A empresa não é minha. A empresa é do meu irmão, sim, ele é da minha família. Meu irmão é minha família. Nunca vai deixar de ser”.
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