A possível privatização do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE) poderia render até R$ 500 mil a cada vereador do município, segundo depoimento prestado ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
A suspeita envolve uma suposta articulação liderada pelo vereador Wanderley Cerqueira (MDB), para obter vantagens financeiras com a eventual transferência dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada.
A revelação consta nos autos da Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20), que investiga suspeitas de corrupção, extorsão e organização criminosa envolvendo agentes políticos de Várzea Grande.
(foto reprodução) - Em depoimento aos investigadores, o vereador Caio Cordeiro afirmou que Wanderley demonstrava interesse na concessão ou privatização do DAE, e teria mencionado a possibilidade de distribuição de aproximadamente R$ 500 mil para cada parlamentar, caso a operação fosse concretizada.
A declaração levantou suspeitas de que o interesse na privatização da autarquia poderia estar associado à tentativa de garantir apoio político, dentro da Câmara Municipal, responsável pela análise de eventuais propostas legislativas relacionadas à medida.
O depoimento de Caio Cordeiro também aponta que Wanderley teria oferecido R$ 100 mil para garantir seu voto na eleição da Mesa Diretora, além de mencionar pagamentos mensais de R$ 10 mil para assegurar apoio político.
O vereador afirmou ter recusado as propostas.
Os elementos apresentados pelo Ministério Público embasaram a decisão do juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, que autorizou medidas de busca e apreensão e acesso a dados eletrônicos no âmbito da Operação.
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