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Domingo, 30 de Agosto de 2026
Peso perdido com canetas emagrecedoras pode voltar após suspensão, aponta estudo.

Brasil

Peso perdido com canetas emagrecedoras pode voltar após suspensão, aponta estudo.

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Para a médica Dra. Ana Luísa Vilela, especialista em cirurgia geral e bariátrica, endocrinologia e nutrologia, o maior desafio das canetas de incretina pode não estar no início do tratamento, mas justamente no momento em que ele termina. “O paciente celebra o resultado, para a medicação, e alguns meses depois começa a ver o peso voltar. Isso não é falha de força de vontade, é a doença retomando seu curso natural”, afirma.

Suspensão do uso de 'canetas emagrecedoras' pode aumentar o risco de recuperar o peso perdido quatro vezes mais rápido que o normal - Diário do Rio de Janeiro

(foto reprodução) - Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no BMJ* reuniu 37 estudos, 63 braços de intervenção e 9.341 participantes para analisar o que acontece após a suspensão de medicamentos para controle de peso. O resultado: reganho médio de cerca de 0,4 kg por mês. Com base nesse ritmo, os autores projetaram retorno do peso ao valor basal em aproximadamente 1,7 ano, e dos marcadores cardiometabólicos ao basal em cerca de 1,4 ano.

“Não podemos pensar primeiro em como tirar a caneta. Precisamos pensar em como o paciente vai sustentar o resultado. A manutenção deveria começar no primeiro dia do tratamento, não no último”, resume a Dra. Ana Luísa Vilela.

Para a médica, o dado publicado no BMJ (um dos títulos de medicina mais respeitados no mundo) confirma algo que a prática clínica já mostrava: obesidade é uma condição crônica, e tratá-la como um episódio pontual,  que se resolve e se encerra, é um erro de abordagem, não apenas de resultado.

“Quando a medicação é suspensa sem um plano estruturado de manutenção, o corpo volta a fazer exatamente o que fazia antes: preservar peso, reduzir gasto energético, aumentar fome. Isso está descrito na fisiologia da obesidade há décadas. O que os novos medicamentos trouxeram foi potência, não uma nova regra biológica”, explica.

Ana Luísa Vilela defende que a construção de um plano de manutenção, que envolve composição corporal, hábitos alimentares, atividade física, sono e, quando necessário, doses de manutenção ou terapias combinadas, não deveria ser deixada para o fim do tratamento. “É preciso desenhar a saída antes de dar o primeiro passo. Do contrário, o paciente entra em um ciclo de perder e reganhar peso que desgasta o corpo e a relação dele com o próprio tratamento”, completa.

“O sucesso não deveria ser medido pelo quanto o paciente perdeu, mas pelo quanto ele consegue manter. E manter é um projeto, não um acaso”, conclui a médica.

Peso perdido com canetas emagrecedoras pode voltar após suspensão, aponta estudo – Muvuca Popular

(foto reprodução)

 

 

FONTE/CRÉDITOS: muvuca popular - foto reprodução
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