Um grupo de pesca esportiva formado apenas por mulheres nasceu em maio deste ano em Cáceres (a 220 km de Cuiabá) , e em menos de seis meses chega à terceira edição com as vagas se esgotando em poucos dias. O Fisgada Pantaneira ocupa o Rio Paraguai entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, com no máximo 22 participantes, dois dias de pescaria no sistema pesque e solte e hospedagem em uma chácara às margens do rio. A entrada é de R$ 450 no Pix, com o restante parcelado em até sete vezes de R$ 385,71 sem juros.
A ideia partiu de Raquel Gomes de Arruda Guzmã, natural de Cáceres e dona da Chácara Estrela Pantaneira, propriedade que passou a ser alugada há pouco tempo para grupos de pescadores e para quem quer passar o fim de semana no rio. O grupo feminino foi a forma que ela encontrou de acelerar a divulgação do lugar. A aposta é que quem conhece a chácara em uma pescaria volte depois com a família ou com os amigos.
O cálculo deu certo mais rápido do que ela esperava. A primeira edição, em maio, teve as vagas esgotadas em cinco dias. A segunda, em junho, fechou em dez. A terceira ainda tem lugares abertos, mas apenas até o fim desta semana, segundo a organizadora.

(reprodução) - O alcance também mudou. Se a estreia atraiu sobretudo mulheres da própria Cáceres, a segunda edição já trouxe participantes de Cuiabá. Para agosto, estão inscritas pescadoras da capital, de Várzea Grande, de Campo Novo do Parecis e até do Pará.
Raquel diz que o movimento acompanha uma mudança maior no estado. "A cada dia que passa eu percebo que o crescimento da pescaria feminina está sendo muito grande aqui no Mato Grosso. As mulheres estão tomando a iniciativa de ir para o rio e, quando vão, veem que realmente é algo muito bom", afirma.
O evento não tem caráter competitivo. A proposta é levar ao rio mulheres que nunca pescaram, e boa parte delas chega assim. Segundo a organizadora, muitas participantes voltam da pescaria com uma lista do que pretendem comprar de equipamento, de tanto que gostaram da experiência. Há quem chegue com medo e acabe se surpreendendo com o que encontra.
A pesca é integralmente pesque e solte. Não é permitido abater nem levar o pescado. As espécies mais visadas são o jaú, o pintado, a cachara e o dourado. Todas as participantes precisam apresentar a carteira de pescadora amadora antes do embarque, exigência que a organizadora diz cobrar com antecedência, já que a ausência do documento pode resultar em multa e apreensão. Os piloteiros são credenciados e os barcos têm registro.
(reprodução) - Os dois dias de pescaria seguem uma rotina definida. As saídas ocorrem até as sete da manhã e o retorno à chácara acontece por volta das cinco e meia da tarde. No primeiro dia os barcos sobem o rio, no segundo descem. Quando o nível da água permite, os almoços são feitos nas praias que aparecem ao longo do trajeto. Em época de cheia, na própria chácara. São três pescadoras por barco.
O pacote cobre praticamente tudo. Estão incluídos os dois dias de pescaria, barco com piloteiro, 33 litros de gasolina, uma diária na chácara em quarto com ar-condicionado e roupa de cama, wi-fi, todas as refeições do período, 180 tuviras como isca viva, reposição de gelo e duas camisas do evento. Ficam de fora apenas os equipamentos de pesca, as bebidas alcoólicas e os produtos de higiene pessoal. Quem não tem vara e carretilha pode alugar dos piloteiros, por cem reais a diária.
O valor não tem desconto à vista porque, segundo Raquel, o preço já foi montado no custo, como estratégia de divulgação da propriedade. Ela credita a isso parte da procura, na avaliação de que as participantes percebem que não estão pagando caro pelo que recebem.
O cancelamento é possível em até sete dias após a contratação. Passado esse prazo, a participante pode transferir a vaga para outra pessoa, com uma ressalva: se a camisa personalizada já tiver sido confeccionada com o nome dela, o valor da peça é descontado e a camisa fica com quem desistiu.
A chegada no dia 31 não tem horário marcado. Como parte das inscritas vem de longe, cada uma se acomoda conforme chega. As inscrições são feitas pelo WhatsApp ou pelo Instagram do grupo.
Não há planos de aumentar o número de vagas. O limite de 22 mulheres está ligado ao tamanho da chácara, que acomoda até 25 pessoas, e à decisão de trabalhar com um grupo menor para conseguir atender bem a todas. O que a organizadora pretende, diz, é acrescentar atrações às próximas edições. Mais informações podem ser obtidas por telefone: 65 99981-1211, falar com a Raquel.
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