A força do agronegócio de Mato Grosso também aparece no ranking das maiores fortunas do país.
Quatro patrimônios individualizados de integrantes da família ligada ao controle da Amaggi somam R$ 24,6 bilhões, segundo levantamento da Forbes Brasil de 2026. A
lista inclui o ex-governador Blairo Maggi, sua irmã Rosangela Maggi Schmidt e os empresários Hugo de Carvalho Ribeiro e Itamar Locks. A matriarca Lucia Maggi também aparece entre as bilionárias brasileiras.
O maior patrimônio individualizado entre eles é o de Blairo Maggi, estimado em R$ 7,2 bilhões. Ex-governador de Mato Grosso, ex-senador e ex-ministro da Agricultura, ele aparece como o sexto maior bilionário do agronegócio brasileiro e ocupa a 50ª posição na classificação geral dos mais ricos do país.
(foto reprodução) - Com o mesmo patrimônio estimado, de R$ 7,2 bilhões, aparece Hugo de Carvalho Ribeiro e família. Genro de Lucia Maggi, ele integra o grupo de acionistas controladores da Amaggi.
Logo depois está Itamar Locks, também genro da matriarca e acionista da companhia. Sua fortuna é calculada em R$ 6,7 bilhões. Os três já figuram entre as dez maiores fortunas relacionadas ao agronegócio brasileiro.
IRMÃ DE BLAIRO ESTREIA NA LISTA - O grupo familiar ganhou mais uma representante no ranking brasileiro em 2026. Rosangela Maggi Schmidt, irmã de Blairo e filha de Lucia Maggi, aparece com patrimônio estimado pela Forbes em R$ 3,5 bilhões, relacionado à sua participação acionária na Amaggi.
Com a inclusão de Rosangela, os quatro patrimônios individualizados — Blairo, Hugo, Itamar e Rosangela — chegam a R$ 24,6 bilhões.
(foto reprodução) - A família tem ainda a presença de Lucia Borges Maggi, mãe de Blairo e Rosangela e uma das fundadoras da Amaggi. A matriarca também aparece entre as grandes fortunas brasileiras ligadas ao agronegócio.
O patrimônio de Lucia, contudo, não foi acrescentado aos R$ 24,6 bilhões utilizados nesta reportagem. O cuidado evita uma eventual dupla contagem de participações familiares na companhia, uma vez que rankings de patrimônio podem apresentar ativos familiares de forma consolidada ou individualizada.
(foto reprodução)
AGRO TEM R$ 207,7 BILHÕES - A dimensão das fortunas da família ocorre em um Estado cuja economia tem forte dependência das cadeias relacionadas ao campo. Mato Grosso consolidou-se como principal produtor brasileiro de soja, milho, algodão e rebanho bovino e, nas últimas décadas, viu grupos originados na produção rural avançarem para atividades como logística, comercialização de commodities e processamento.
No país, 37 dos 255 bilionários brasileiros identificados pela Forbes têm patrimônio relacionado ao agronegócio. Juntos, eles acumulam R$ 207,7 bilhões, equivalentes a 11,2% dos R$ 1,86 trilhão concentrados por todos os bilionários do levantamento.
O Centro-Oeste chama a atenção pela concentração patrimonial. O recorte do agronegócio apresentado pelo levantamento atribui R$ 46,6 bilhões às fortunas da região. O Sudeste lidera, com 18 representantes e R$ 89,1 bilhões, seguido pelo Sul, com 12 nomes e R$ 57,7 bilhões.
Os R$ 24,6 bilhões dos quatro patrimônios individualizados ligados à Amaggi correspondem a quase 12% dos R$ 207,7 bilhões atribuídos aos bilionários do agronegócio brasileiro.
DA FRONTEIRA AGRÍCOLA À FORTUNA - A origem das fortunas acompanha a própria transformação econômica de Mato Grosso. A Amaggi foi fundada por André e Lucia Maggi e cresceu durante o avanço da fronteira agrícola que transformou o Estado em uma das principais regiões produtoras de commodities do mundo.
Blairo Maggi conciliou a atividade empresarial com uma longa trajetória política. Governou Mato Grosso por dois mandatos, entre 2003 e 2010, foi senador de 2011 a 2019 e comandou o Ministério da Agricultura no governo Michel Temer. Atualmente está afastado da política.
(foto reprodução) - A presença de Blairo, Rosangela, Lucia e dois cunhados entre os bilionários evidencia outra dimensão da expansão do agronegócio mato-grossense: além do crescimento da produção, das exportações e da participação do setor na economia estadual, o processo permitiu a formação e consolidação de algumas das maiores fortunas privadas ligadas ao campo no Brasil.
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