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Sabado, 27 de Junho de 2026
Entre o desejo e o espelho.

Cáceres MT

Entre o desejo e o espelho.

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Você sorri 
Como quem acende um fósforo 
Sem pensar no incêndio. 
 
Seus lábios têm o defeito 
De fazer o mundo parecer menos ridículo, 
E isso é perigoso. 
Porque a esperança sempre cobra caro. 
 
Passei a vida dizendo 
Que ninguém salva ninguém. 
Ainda acredito nisso. 
Mas há noites em que uma boca 
Convence até o cínico mais antigo. 
 
O desejo chega sem pedir licença, 
Derruba a filosofia da estante, 
Esvazia o copo 
E ri da disciplina 
Que passei anos tentando construir. 
 
No fim, cada um volta para o próprio quarto, 
Para o espelho, 
Para as contas, 
Para o silêncio. 
Mas alguns sorrisos continuam morando na memória 
Como se nunca tivessem ido embora. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense
FONTE/CRÉDITOS:  Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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