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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026
Cáceres lidera casos de feminicídios em Mato Grosso.

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Cáceres lidera casos de feminicídios em Mato Grosso.

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Mais de um quarto dos casos de feminicídio ocorrem em cidades no interior de Mato Grosso. O dado, revelado durante a apresentação do relatório preliminar da Câmara Setorial Temática (CST) de Enfrentamento ao Feminicídio da Assembleia Legislativa (ALMT), na manhã desta segunda-feira (02), apoia-se em um problema principal: a falta de estrutura de enfrentamento e a precariedade do sistema de atendimento a mulheres vítimas de todo tipo de violência em municípios interioranos.

O relatório, elaborado entre 2022 e 2025, apresentado por Edna Sampaio, revela um cenário alarmante da violência letal contra mulheres em Mato Grosso. Os dados mostram que alguns municípios apresentam taxas de feminicídio muito superiores à média nacional. Cáceres lidera o ranking, com taxa de 15,3, seguida por Lucas do Rio Verde (14,6), Sinop (14,3), Sorriso (12,8) e Rondonópolis (9,1). Já Várzea Grande registra 6,3. Mesmo Cuiabá, capital do estado e com maior estrutura de atendimento, como delegacias 24 horas e rede de proteção mais organizada, apresenta índice inferior aos demais, mas ainda assim acima da média estadual, evidenciando a gravidade do problema em todo o território.

(foto reprodução) - De acordo com os dados abordados no relatório, Cáceres, Lucas do Rio Verde, Sinop, Sorriso, Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá são as cidades com uma concentração de casos que ultrapassa a média nacional, que, atualmente, se encontra em 1,4 a cada 100 mil mulheres.

Cerca de 59 municípios de MT não possuem sequer uma delegacia especializada para combate a crimes contra a mulher, o que significa que mais de 880 mil habitantes do estado não têm acesso ao serviço. Além disso, uma vítima pode precisar andar até 372 km para conseguir um atendimento.

Conforme pontuado pela deputada estadual Edna Sampaio (PT), presidente da CST, a falta de estrutura no interior do estado resulta em dificuldade no atendimento às vítimas e negligenciamento da proteção às mulheres. Como apontado por Edna, a segurança imediata é "inatingível para quase um milhão de cidadãos mato-grossenses", tendo em vista que apenas 53% das Regiões Integradas de Segurança possuem cobertura.

O relatório traz ainda a precariedade pericial como outro fato que implica diretamente na "explosão" de casos de feminicídio e violência. Como exemplo, a deputada cita a atual situação da estrutura da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Sinop e Cáceres. Na primeira, foi atestada a falta de avental médico adequado, o que implicava as vítimas utilizarem aventais transparentes, macas inadequadas para realização de exames ginecológicos essenciais, sem falar na ausência de estrutura física.

Dados feminic�dio relat�rio Edna Sampaio

(reprodução)

Em Cáceres, os dados apontaram que as mulheres vítimas de violência aguardavam nuas para a realização dos exames periciais, por causa da falta total de aventais. Além disso, o relatório pontuou que o biombo que vinha sendo utilizado para dar privacidade às vítimas havia sido doado pela própria médica legista.

O descaso e a negligência para com estas mulheres desaguam em uma segunda violência, desta vez institucional.

Outro dado é a falta de suporte psicológico e social às vítimas. O relatório detalha que mais de 96% das unidades de atendimento não possuem equipe multidisciplinar. Cerca de 67% das prefeituras de Mato Grosso relataram também a ausência de assistência jurídica integral, assim como 75% das varas de violência doméstica. O estudo aponta ainda que 24% dos defensores reclamaram da ausência de um defensor público para acompanhar vítimas de violência.

Para Edna, trazer este diagnóstico preliminar ainda no mês de março, popularmente conhecido como mês das mulheres, é uma forma de iniciar o debate.

Dados feminic�dio relat�rio Edna Sampaio

(reprodução) - "A gente é atravessada por violência em todos os espaços onde a gente está. [...] Os homens se acham no direito de destruir uma mulher moralmente, psicologicamente e até fisicamente. Isso é muito triste, todo mundo precisa se envolver nesse processo. Quem tem mais recursos para atuar nisso, inclusive para modular a conduta das pessoas na sociedade, é o Estado, então ele não pode ser omisso. Esse mês de março é um mês em que a gente precisa, primeiro, denunciar a violência cotidiana que todas nós mulheres temos sofrido aqui no estado de Mato Grosso, que não nos permite estar em nenhum lugar sem sofrer violência. E, ao mesmo tempo, exigir que o Estado tome providências, mude a forma de conduzir suas políticas, se organize para que a gente possa ter um futuro melhor", finalizou a deputada.

FONTE/CRÉDITOS: rdnews - foto reprodução
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