O baru, árvore típica do Cerrado, e uma planta encontrada exclusivamente em Mato Grosso estão entre as espécies incluídas na nova Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) na quarta-feira (28.10). A relação reúne 3.730 espécies brasileiras, das quais 728 estão classificadas como criticamente em perigo de extinção.
(foto reprodução) - Uma das espécies que passaram a integrar a lista é a Alstroemeria chapadensis, planta nativa do Cerrado e com ocorrência restrita à região de Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 quilômetros de Cuiabá. A espécie, que possui flores amareladas e pode alcançar 80 centímetros de altura, foi classificada como criticamente em perigo (CR), uma das categorias mais graves de ameaça.
De acordo com um levantamento do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, publicado em 2014, a planta ocorre em uma área limitada e enfrenta ameaças relacionadas à expansão das atividades agropecuárias e à frequência de incêndios. Embora parte de sua distribuição esteja protegida pelo Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, a perda de qualidade do habitat compromete sua conservação.
Outra inclusão é o baru (Dipteryx alata), também conhecido como cumbaru, classificado como vulnerável (VU). A árvore pode ultrapassar 20 metros de altura e produz frutos com amêndoas utilizadas na alimentação e na produção de diversos produtos. Segundo o MMA, a exploração predatória da madeira e o desmatamento do Cerrado estão entre as principais ameaças à espécie.
A relação também mantém outras árvores encontradas em Mato Grosso, como a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa) e o mogno (Swietenia macrophylla), ambas classificadas como vulneráveis. A castanheira ocorre naturalmente na região amazônica do estado, incluindo municípios como Alta Floresta, Juína, Itaúba e Cotriguaçu.
(foto reprodução)
Lista nacional
A atualização foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.783, de 26 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira. A relação anterior, de 2022, reunia 3.209 espécies ameaçadas, número que passou para 3.730 na nova versão.
Do total, 838 espécies foram classificadas como vulneráveis, 2.162 como em perigo e 728 como criticamente em perigo. Outras duas foram incluídas na categoria criticamente em perigo, possivelmente extintas.
A avaliação das espécies considera critérios como tamanho e redução das populações, fragmentação dos habitats, distribuição geográfica e ameaças existentes. O trabalho é conduzido pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e orienta medidas de proteção e conservação da biodiversidade brasileira.
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