Representante da Ponte Preta na reunião da última segunda-feira com clubes das Séries A e B para discutir a criação de uma liga para organizar as competições nacionais, o diretor financeiro Décio Sirbone disse que o projeto é "irreversível" e que a próxima reunião acontecerá em Brasília no fim de julho com o objetivo de apresentar a ideia à classe política.
- É uma situação irreversível. Criamos um grupo de trabalho agora, existe um escritório de advocacia já contratado também para fazer o trabalho envolvendo documentação e fizemos um organograma para que até o outubro o estatuto da liga esteja pronto - disse Sirbone, em entrevista à Rádio Central, de Campinas, nesta terça.
- A segunda reunião entre os presidentes vai acontecer em 25 de julho, marcamos para Brasília, onde faremos num hotel e vamos chamar também os políticos, o Congresso, para ter o envolvimento deles e passar a certeza de que a liga terá um futuro bem pródigo e de sucesso.
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Taça do Brasileirão — Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Décio participou da reunião no lugar do presidente da Ponte, Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, ainda afastado após realizar uma cirurgia.
Na última segunda, três empresas apresentaram propostas para negociações futuras de direitos de transmissão e patrocínios.
A criação da liga é, na visão dos clubes, uma maneira de ter um campeonato mais atrativo e também proporcionar melhores condições para todos os participantes. Atualmente, o torneio é organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Entenda o caso
No último dia 15 de junho, 19 clubes da Série A assinaram, no Rio de Janeiro, um documento em que concordaram em fundar uma liga para organizar o Campeonato Brasileiro, que hoje é um produto da CBF.
As articulações entre os clubes ganharam força desde que Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF depois que o ge revelou uma denúncia de assédio sexual e moral contra ele.
A criação da liga é considerada prioritária pelos dirigentes dos clubes, que além disso desejam maior participação em decisões tomadas pela confederação.
O estatuto da CBF prevê dois tipos de Assembleia Geral, a instância máxima da CBF: Administrativa e Eletiva. É a Assembleia Geral Administrativa que toma decisões como destituir o presidente e votar as prestações de contas da entidade. Dela só participam as 27 federações estaduais de futebol.
Os clubes só participam da Assembleia Geral Eleitoral, que só se reúne para escolher o presidente e os vices. E, mesmo assim, eles têm peso menor nas votações. Os votos das 27 federações têm peso 3 (portanto são 81), os votos dos 20 clubes da Série A têm peso 2 (40) e os votos dos clubes da Série B têm peso 1 (ou seja, 20). É essa concentração de poder nas mãos das federações estaduais que os clubes querem discutir nesta semana.
Para a criação de uma liga, segundo o artigo 24 do estatuto da CBF, é necessário ter a aprovação da Assembleia Geral Administrativa. Ou seja: para tirar o poder das federações estaduais, é preciso ter a aprovação dessas mesmas federações estaduais.
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