O ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, não compareceu à audiência da Comissão de Ética e Disciplina realizada na última quinta-feira, no Morumbis. O ex-mandatário, que renunciou à presidência em janeiro deste ano após sucessivas investigações por supostas irregularidades financeiras, era esperado para prestar esclarecimentos, mas não esteve presente.
Com isso, a Comissão de Ética do São Paulo dará procedimento ao processo com a elaboração do parecer final, que será encaminhado, posteriormente, ao Conselho Deliberativo do clube, segundo reportado inicialmente pelo ge e confirmado pela Gazeta Esportiva.
A Comissão de Ética apura possível gestão temerária e supostas irregularidades financeiras cometidas por Casares durante o período em que presidiu o clube, entre 2021 e 2026. Ele também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suposta lavagem de dinheiro e possível exploração clandestina de um camarote no Morumbis.
Conforme soube a reportagem, além de Casares, outras três testemunhas também não compareceram à audiência da Comissão de Ética na última quinta-feira. Com isso, esta etapa do processo foi superada, e o caso avançou.
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Audiência aconteceu mesmo após renúncia
A audiência da última quinta-feira foi mantida mesmo após a renúncia de Casares ao cargo de conselheiro e à função de associado na última quarta-feira. Instantes antes do início da reunião, o ex-presidente, por meio de sua defesa, entrou com uma petição para encerrar as investigações internas contra ele, com base no Artigo 5, inciso XX, da Constituição Federal, que versa o seguinte: "Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado".
Contudo, o Artigo 38 do Estatuto Social do São Paulo prevê o seguinte:
"Artigo 38 / Não será aceito pedido de demissão do Quadro Associativo, quando o Associado for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento, bem como não será permitida sua inclusão como dependente de outro Associado".
Diante deste cenário, Casares estaria impossibilitado de oferecer renúncia à posição de sócio enquanto alvo do processo disciplinar na Comissão de Ética. Foi com base em tal artigo que os membros do órgão decidiram manter a audiência e dar sequência ao processo. Eles não reconheceram o pedido do ex-presidente e, portanto, prosseguirão com o caso.
Casares, vale lembrar, também renunciou à presidência do São Paulo antes da votação de impeachment por parte dos associados, que poderia terminar com o afastamento definitivo da função em janeiro deste ano. Ao renunciar ao posto de sócio e conselheiro, na quarta-feira, o ex-presidente alegou que sua defesa teria ficado prejudicada, pois teria pedido acesso a documentos aos quais não teve acesso.
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Próximos passos
Ao não comparecer à audiência, Casares se tornou uma espécie de 'réu revel', o que ocorre quando o acusado perde o momento de responder às acusações do processo.
Concluída tal etapa, resta à Comissão de Ética preparar o parecer final do processo, com uma recomendação ao Conselho Deliberativo do São Paulo. A Gazeta Esportiva apurou que a tendência é que os membros do órgão sugiram a expulsão de Casares do quadro associativo do clube.
O documento final, então, será enviado a Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, que deverá pautar o caso em assembleia. Caberá aos conselheiros, portanto, decidirem o futuro de Julio Casares no clube.
O parecer da Comissão de Ética e Disciplina, vale lembrar, é meramente recomendatório. Os conselheiros, neste sentido, não são obrigados a acatar a sugestão do órgão e têm direito a votos divergentes
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