Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais. Rubem Alves
Cá estamos, minha gente, a pensar nesta Pátria idolatrada em caminhada retro programada pelos planejadores de si mesmos. Querem (des)construir uma Nação tão respeitada para colocar em seu lugar uma nação homogeneizada.
E o que querem colocar em seu lugar? Uma nação de pensamento único, que tenha de servir ao demiurgo e que possa ser expurgo de suas idiossincrasias; que aceite servilmente suas sempiternas fantasias de soberano permanente, um tanto e quanto condenável moralmente.
Enquanto esse delírio continua, muita gente foi morar na rua porque perdeu o espaço de trabalho e o desemprego agora é seu patrão. Não culpe a pandemia com única razão, pois o mundo inteiro também passou por tudo isso, mas só aqui é que não houve o compromisso de lutar pela vida das pessoas, organizando uma luta solidária contra o mal que assola o mundo inteiro.
Só aqui tivemos um Ministro da Saúde, especialista em fabricar ataúdes e em vez de vacina, receitava cloroquina, remédio de malária e nos deixou em situação muito hilária, se não fosse uma tragédia anunciada pelo gênio, que entregou ivermectina no lugar de oxigênio.
Um Ministro tão sinistro no Meio Ambiente, que em vez de cuidar da natureza, cuidava de sua destruição, apoiando predadores da floresta que a destruíam com muita competência, mesmo que fosse alertado pelos defensores da ciência. Esse Ministro, foi mesmo um campeão, destruiu quase metade desta imensa Nação, ateando fogo na Amazônia, no Cerrado e Pantanal, como se isso tudo fosse muito natural.
Toda estrutura de defesa de nossa natureza, como Ibama, ICMBio e outras mais, foram desmontadas pelo ilustre predador, que patrocinava só quem fosse um bom desmatador, para vender nossas madeiras para o além fronteiras.
Foi caprichoso em seu desiderato de desmontar os órgãos de preservação, tornando-os incapazes de exercer sua missão de conservar o nosso mato. Plantou desertos em cada ponto da Amazônia, ali, bem perto, das Reserva dos Povos Originários só para aumentar o seu calvário de sofrimentos que são vítimas há muito tempo.
Retroagimos a tempos imemoriais, em nosso processo civilizatório, pois é notório e sem contestação, que esta nossa tão querida Nação, retroagiu pela ação de um suserano que imagina ser dono deste feudo e quer que ele tenha sua cara.
Tudo começa pela educação em cujo ministério, até hoje sem definição, ninguém sabe qual é a política de educação. Ah! Isso é um eterno mistério. Cada ministro que passou por lá, só conseguiu se meter em confusão, cada uma pretendendo botar vendas em nossos olhos, ou antolhos, para não podermos enxergar o que se passa bem ao nosso lado. Bem ao estilo de Aldous Huxley em seu “Admirável mundo novo”, pretendem transformar o nosso povo, como na música de Zé Ramalho, o clássico “Admirável gado novo”: Eh, oô, vida de gado... Povo marcado... eh... Povo feliz.
Não há exagero no que estou dizendo, ou escrevendo, não importa, então vejamos um de seus delírios: quando um apoiador pediu que aplicasse a educação nazista, respondeu que isso é difícil porque o Ministério da Educação é um transatlântico que não dá cavalo de pau. Dito de outo modo – se pudesse, faria, com certeza.
Se não há uma política educacional de estado (eu disse “de estado”, não de governo), qualquer nação empobrece porque não há uma garantia da formação de um povo livre e capaz de escolher seu próprio caminho e construir a sua própria história. O que existirá será uma sociedade anômica, uma Pátria sem futuro e sem destino. Eis o que nos espera se não houver mudanças no cenário político brasileiro.
Certamente, ou quase isso, serei atingido por petardos do bolsonarismo que deixou de ser apenas uma facção político-ideológica, para se tornar uma seita política, algo inédito na história humana. O sectarismo do bolsonarismo penetrou no âmbito da família, separou irmãos, distanciou filhos de seus pais, amigos se separaram motivados por uma ideologia de talibã, como se nossas escolas fossem madraças, aquelas escolas do fundamentalismo islâmico que obriga os alunos a decorarem o Corão.
Não há perdão para os que pensam diferente e livremente, para os que não têm dobradiças na coluna vertebral para se curvarem cotidianamente diante das perversidades do suserano, muito menos para os que se anunciam como sendo de esquerda. Aliás, isso é algo que também considero medieval, ser, obrigatoriamente, de direita ou ser de esquerda, como se nós, os seres humanos, não tivéssemos capacidade intelectual e moral de fazer escolhas conforme nosso referencial e não pelo referencial de terceiros.
Aqui está a autonomia, algo que para o Ministério da Educação, deve ter forçosamente, a “cara do governo”, e faz de tudo para nos moldar em suas caixinhas de pensar, ou seja, ter a mesma visão de mundo do governo federal. Se é que esse governo tem uma.
E a perversidade continua em seu afã de destruir a história desta Pátria. Vejamos o caso dos Yanomamis, nosso principais ancestrais que estão sendo dizimados de forma sub-reptícia, esquecidos pelo Ministério da Saúde, que os abandonou à própria sorte e tem por morte a desnutrição causada pela fome, por causa da invasão de garimpeiros que poluem suas águas com mercúrio, quando não pela bala de fuzil.
Após denúncia da TV, o Supremo Tribunal Federal, foco permanente e alvo preferencial das milícias do suserano, determinou que o Ministério da Saúde os atendessem imediatamente. Ledo engano, o Presidente da Funai, para quem não sabe a Funai é o órgão responsável pela vida dos indígenas, PROIBIU, as Equipes de Saúde da FIOCRUZ de entrarem nas Reserva dos Yanomamis.
Qual a denominação que se dá a essa atitude da Funai? Com a palavra o leitor.
E tem mais! Recentemente, um instituto com sede em Estocolmo, na Suécia, publicou na segunda-feira (22/11) um relatório que demonstra a erosão da democracia em vários países, mas foi no Brasil que esse instituto encontrou uma piora maior.
Ou seja, este é um País em retrocesso, uma governança no avesso, um presidente possesso, que se acha o rei do universo, trocando em miúdos, perverso.
Apesar disso tudo, não mudo de caminho e meu destino é pensar sobre a vida, sobre as lutas dos povos deste Pátria que não quer ser armada, mas amada e idolatrada pelo seu povo.
Cá estamos, minha gente, pensemos, estudemos, apesar do sinistro da deseducação, cuja ação e nos tornar subordinados às ideologias de uma seita política doentia. Prossigamos em nossa caminhada em direção a uma luz, nessa estrada brasileira e solidária.
José Pedro Rodrigues Gonçalves é doutor em Ciências Humanas.
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