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Quarta-feira, 29 de Julho de 2026
Somos a última geração que sabe como era a vida antes da internet e rede social.

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Somos a última geração que sabe como era a vida antes da internet e rede social.

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Carregamos na memória um superpoder que nenhuma inteligência artificial ou algoritmo jamais conseguirá replicar: nós sabemos como era o mundo antes da internet. Somos, talvez, a última geração a lembrar do som do silêncio, do valor da espera e de como a vida acontecia, de fato, do lado de fora da tela.

Olhando para trás, os anos 80 e 90 não foram fáceis. Havia crises econômicas, inflação e limitações materiais. Mas, paradoxalmente, a escassez de recursos era o combustível da nossa criatividade.

Passávamos o tempo inventando mundos. Uma bola de capotão, jogo de vôlei ou futebol no meio da rua um pedaço de madeira ou um giz no asfalto eram suficientes para preencher tardes inteiras. A vida não era transmitida ou exibida; era somente vivida e celebrada no calor das praças, no olho no olho, nos joelhos ralados e nas conversas sem pressa no portão.

Era nessas mesmas praças e calçadas que ganhavam vida os namoricos e as paixões da adolescência. Um romantismo que exigia coragem e paciência. Não havia mensagens instantâneas ou aplicativos de relacionamento; o amor acontecia na troca de olhares tímidos, no bilhetinho de papel dobrado que passava de mão em mão na sala de aula, ou na expectativa de cruzar com aquela pessoa especial na praça no fim de semana. O "frio na barriga" durava dias, alimentado pela doce tortura da espera. Cada encontro tinha o peso do sagrado, e a voz do outro, ouvida pelo telefone fixo — muitas vezes com o fio esticado até o corredor para ter um pouco de privacidade —, era um tesouro.

Naquela época, a saúde mental — embora não tivesse os nomes técnicos de hoje — parecia protegida por essa crueza saudável da realidade. A depressão e a ansiedade não eram a regra, eram raridades.

Não havia a cobrança invisível da perfeição digital, a pressa milenar das notificações ou a solidão acompanhada das redes sociais. A gente não se comparava com o mundo inteiro; a gente só queria ser aceito pela nossa turma. O conhecimento também tinha outro valor: a leitura era um hábito saudável, um portal respeitado. Devorar um livro ou folhear uma enciclopédia era um ritual de paciência.

O tempo passa, a história avança e tudo evolui. É inegável que a tecnologia trouxe facilidades extraordinárias e encurtou distâncias geográficas. As coisas mudam, e mudar faz parte do fluxo da vida. No entanto, o grande perigo atual é o ser humano se perder no meio de tantas coisas, telas e conexões artificiais.

Nenhum dispositivo eletrônico ou artificial será capaz, em tempo algum, de substituir o calor de um abraço sincero, o tom de voz em uma conversa olho no olho ou a conexão profunda de estar verdadeiramente presente. Mais do que nunca, precisamos preservar um tempo para o analógico. Um tempo para estarmos juntos, para sentir o calor humano e resgatar os sentidos que dão significado à existência. Afinal, a tecnologia deve servir para aproximar, mas a vida só faz sentido se continuarmos humanos o suficiente para sentir e viver o mundo real.

FONTE/CRÉDITOS: por Valdinei Felix Empresário em Caceres Atua no mercado de comunicação visual Foi presidente da ACEC , é entusiasta do empreendedorismo e do voluntariado social
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