m sei como começar este texto, pois o contexto em que vivemos é por demais doloroso para qualquer inspiração que não seja de agonia pela catástrofe sanitária que o Brasil está vivendo. E não foi por falta de aviso, mas sem nenhum juízo os governantes se ativeram em cumprir seus rituais de assinar decretos inúteis e com nada de concreto, a não ser a fantasia de que estão combatendo a pandemia.
Enquanto isso... logo ali, ao lado, cadáveres são amontoados à espera do não velório, pois o protocolo inviabiliza a despedida da família. Não há leitos, o que existe é desrespeito permanente, é ausência de comando no desmando deste morticínio criminoso, que poderia ser, de há muito, evitado se houvesse compromisso com a vida, pelo órgão que só existe para isso, o tão respeitado Ministério da Saúde. Lá existe um corpo técnico do mais alto nível de competência, mas que foi desprezado pelo pelotão de militares de tomou posse do terreno, como se fazia em antigas guerras.
E o General ensimesmado, especialista em logística, desconhece a estatística de mortalidade e imaginou que estava ganhado esta maldita guerra porque abate mais de mil a cada dia e os enterra em grande estilo.
Enquanto isso o comandante-em-chefe, gargalha seduzindo mais soldados para armá-los em decretos armamentistas, sem perceber que a cada hora só amplia a lista de entubados desoxigenados a espera de uma morte bem menos sofrida, mas o sufoco aperta e a morte anunciada há mais de ano toma posse de mais uma vida.
Não sei se é caos ou catástrofe moral, ou se é desgraça nunca vista igual por estas bandas, onde prevaleceu sempre o combate à morte, mas, infelizmente, não tivemos sorte e o Brasil parou nas mãos de um senhor da morte.
Não há desculpas, meus senhores, nossas dores jamais esquecerão de suas culpas porque cada dia morrem mais. E os jornais em negras letras, ecoam necrológios sem parar, até quando, ninguém sabe o final desta fúria assassina. Talvez com a chegada da vacina, só que ela chega com a urgência do jabuti lá no cerrado, que até agora só cometeu atos errados, comprou vacina não legalizada enquanto a oficial deixou de lado. Por que será?
Muito cara, minha cara pandemia! Talvez quando chegar o final da feira possamos comprar bem mais barata, enquanto isso a Covid mata, bem mais de mil a cada dia, criando um mercado tentador para quem sofre tanta dor, pois é assim que pensa o ilustre suserano, o mandachuvas e sua prole tão valente, apresentando um mercado promissor.
Ainda existem os cúmplices do grupo celerado entre os ditos defensores da saúde. Em Brasília o CRM-DF prefere fabricar mais ataúdes ao negar a verdade da ciência documentando a própria incompetência ao assinar manifesto contra a melhor forma de parar a distribuição gratuita de coronavírus, o lockdown. Infelizmente, ao que parece, tem um costas-largas no alto do escalão lá do Planalto.
Passamos de País admirado pelo mundo à pária do planeta, por conta desse luto inimaginável. Perdemos o respeito das nações, o que antes, batíamos no peito, pelo tanto de admiração, só que agora ninguém nos quer por perto e nos tornamos impedidos de qualquer viagem para fora do Brasil.
Nunca pensamos e jamais passamos por esta vergonha nacional. No fundo da Caixa de Pandora ainda existe a tal esperança, mas é preciso voltar a ser criança para não desesperançar e esperar o fim desta disputa entre o povo brasileiro e o vírus coroado, comandado pelo bravo comandante.
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