Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito". Chico Xavier
Venho acompanhando esta pandemia desde que a Organização Mundial de Saúde fez o anúncio funesto deste evento de magnitude planetária. A cada semana tenho anotado a sua evolução para ter um registro de minhas reflexões a respeito dela, no tempo preciso de seu estágio.
Algo como uma cronologia que pudesse, no futuro, possibilitar reflexões mais profundas visando uma compreensão mais detalhada do fenômeno mórbido e sua evolução.
Em nenhum momento dessa trajetória pandêmica consegui, sequer, vislumbrar um número de mortes tão devastador como o que estamos atingindo nesta próxima semana.
Meio milhão? Imaginem nossa Capital, Cuiabá, com uma população estimada, em 2020, de 618.124 habitantes e, de um dia para outro, ser transformada em um imenso cemitério, restando, provavelmente, apenas os que vivem depois do Rio Coxipó, em direção a Rondonópolis?
Pois é isso que está para acontecer no Brasil. Meio milhão de seres humanos, brasileiros como qualquer um de nós, que foram dizimados pelo coronavírus e pela nefasta irresponsabilidade criminosa, dolosamente planejada para atender aos devaneios dionisíacos do suserano. E a tragédia grega se materializa por estas bandas, revisitando os ditirambos em louvor a Dionísio, o deus do caos.
O conflito estabelecido entre Apolo, o deus da razão e do raciocínio lógico, aqui representado pelos cultores da ciência e, do outro lado, os dionisíacos senhores da cloroquina e suas inconsequências, demonstram cristalinamente que houve uma intencionalidade adredemente construída.
E para que? Só posso concluir que com a finalidade de comprovação de um poder único – quem manda sou eu – como foi repetido ad nauseam diante das câmeras de televisões do mundo inteiro.
Essa permanente e quase eterna repetição para se afirmar como poder único, só demonstra uma inequívoca psicastenia, algo que o suserano tenta camuflar em seus arroubos de destemperadas verborragias, como se afirmando detentor de uma força descomunal, embora só exteriorize a ausência absoluta de caráter, ou seja ausência de firmeza e coerência de atitudes.
A CPI do Senado Federal vem desnudando a cada dia, não só as irresponsabilidades criminosas do Governo, mas também, e principalmente, o despreparo, incompetência e descompromisso com a coisa pública, focando exclusivamente a confirmação do poder soberano do suserano.
A seguir nessa toada, em breve teremos por aqui uma reedição tupiniquim do Jean-Bédel Bokassa, também conhecido como Imperador Bokassa I, aquele Comandante do Exército da República Centro Africana, que derrubou o então presidente para se autoproclamar Imperador, mandando construir um trono de ouro para refestelar suntuosamente seus fundilhos.
É isso que geralmente acontece com quem se autoproclama senhor de todos os poderes, esquecendo que sua missão se baseia em deveres. E esses deveres estão prescritos na nossa Constituição, como todas as letras, parágrafos, alíneas e incisos. Mas..., para quem não tem juízo, será preciso ensinar a soletrar um outro verbo importante, obedecer e respeitar as nossas Leis, definitivamente claras e esclarecedoras.
Enquanto isso, aqui nesta planície desolada, assolada pela pandemia, a nossa fugaz alegria é acompanhar o desenlace positivo de tantos doentes em seus momentos de saída do hospital, recuperados, embora, muitos deles carregando uma sequela indefinida, que poderá o acompanhar por toda vida.
E o que fazem, afinal, outros poderes? Será que estão cumprindo seus deveres?
Alguns, desempenhado um papel de capitão do mato, a caçar os libertos da senzalas que tentam transformar as nossas salas, nossos pensamentos, nossas falas, em tormentos e eternos dissabores, pois querem se tornar nossos senhores, ao produzir cartilhas programadas que devem ser seguidas como se fossemos manadas.
O Congresso Nacional esquartejado em dissenções escandalosas, a cada dia nos oferece uma prova de sua incompetência, uma imensa indolência ao atender os pedidos de encomenda do mandatário, a esperar a próxima prebenda, está se transformando em uma lenda que, um dia, ouvimos falar. Agora o que que vemos e o eterno falhar em sua missão, ou não seria mesmo uma submissão?
Enquanto isso, os congressistas submissos permanecem em assistir mais duas mil mortes todo dia e, muitos, comemoram com muita alegria o desfecho fatal dessa agonia, tantas mortes a mais a cada dia.
Meio milhão, meu povo brasileiro? Mas que Nação é esta que assiste a esta homérica batalha que transforma nossa bandeira em mortalha, ao desfrutar dessa maldita Copa América.
Quinhentos mil Josés, Marias, Joãos, Antônios, Terezas, Franciscos, Pedros, Paulos, Otávios e outros tantos e infinitos nomes, todos eles diagnosticados com uma doença absolutamente evitável, mesmo que a vacina demorasse, mas ela foi propositadamente retardada em uma empreitada claramente definida por quem nunca se interessa pela vida de qualquer pessoa.
Uma máscara na face, uma distancia tão pequena, uma mão bem lavada toda hora, evitaria a morte de quem foi embora sem, ao menos, despedir de sua família.E o que fez o mandatário? Ficou a desfiar o seu rosário de impropérios de insanos devaneios que transformou nossa Pátria em cemitério e pensa transformar, agora veja, o Judiciário em sua igreja.Senhor Deus, deste Brasil! O que fazer com tudo o que até agora já se viu?
José Pedro Rodrigues Gonçalves é doutor em Ciências Humanas
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