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Quinta-feira, 30 de Julho de 2026
Comunicador, não prostitua a profissão.

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Comunicador, não prostitua a profissão.

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Chegou a época mais cobiçada pelos profissionais da comunicação: a campanha eleitoral. É o momento em que podemos usar todo o nosso conhecimento para construir a narrativa de uma candidatura, apresentar propostas, fortalecer uma imagem e estabelecer uma conexão entre o candidato e o eleitor.

Porém, também chegamos a um velho impasse: enquanto grandes estratégias são traçadas para conquistar votos, muita gente ainda trata a comunicação como a parte menos importante do planejamento. Quando, na verdade, ela está em tudo.

Afinal, de que adianta ter uma boa proposta se ninguém consegue compreendê-la? De que adianta o candidato ter uma trajetória relevante se ela não for contada? Como conquistar o eleitor sem definir uma linguagem, construir uma narrativa e entender de que forma aquela mensagem chegará até ele?

Não é de hoje que a comunicação ocupa um papel central nas disputas políticas e ideológicas. Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética utilizaram os meios de comunicação para convencer o mundo de que seus respectivos modelos de sociedade eram os melhores.

No Brasil, Jânio Quadros transformou uma vassoura em símbolo político para representar a promessa de “varrer a corrupção” do país. Décadas depois, o “Yes We Can” marcou a campanha de Barack Obama, que utilizou a comunicação digital e as redes sociais para mobilizar eleitores.

A política depende da comunicação. Ela bebe do jornalismo, da publicidade, do marketing e da influência. Uma candidatura não é construída apenas com um nome, uma cor ou um número. Existe estratégia por trás de cada palavra, imagem, vídeo, discurso e aparição pública.

Mesmo assim, continuamos recebendo propostas pífias de candidatos que acreditam que o nosso trabalho se resume a “escrever”, “segurar um celular”, “editar um videozinho” ou “emplacar um release”. Como se qualquer pessoa pudesse fazer. Como se não existissem estudo, experiência e planejamento por trás de cada uma dessas entregas.

O que muitos não enxergam é o tempo que passamos estudando para compreender por que determinada linguagem funciona, qual gancho pode despertar interesse, de que forma uma mensagem deve ser apresentada e por que ela pode fazer sentido para aquele eleitor.

Tudo isso tem valor.

Ainda assim, não é raro encontrar candidatos que oferecem míseros R$ 3 mil para que um profissional acompanhe toda uma campanha eleitoral. Nós sabemos, e você, candidato, também sabe, que campanha não tem horário comercial. Não tem sábado, domingo ou feriado. Em muitos casos, também não tem descanso, planejamento adequado nem equipe suficiente.

Querem disponibilidade integral, mas oferecem remuneração parcial. Querem estratégia, mas pagam como se estivessem contratando alguém apenas para apertar o botão de uma câmera. Querem resultado profissional sem reconhecer o valor do profissional.

E é justamente aí que nós, comunicadores, precisamos ter cuidado para não ajudar a sustentar essa lógica. Valorizar a comunicação também começa por quem a exerce.

Se você leu até aqui, entendeu que eu não chamei ninguém de prostituto. O título foi uma provocação para falar sobre a forma como nós mesmos podemos colaborar com a desvalorização da nossa profissão ao aceitar qualquer proposta, por qualquer valor e sob quaisquer condições.

E aí, você curtiu a provocação?

Noelisa Andreola é jornalista e assessora de Comunicação da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso.

FONTE/CRÉDITOS: Noelisa Andreola
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