"Obrigou eu a ficar pelada, a deitar na cama e abusou de mim. Me cuspia, me tratou como um verdadeiro... Não sei, nem animal a gente trata dessa forma", narrou.
"Depois que ele terminou o ato ele me empurrou para dentro do banheiro, fez eu me lavar com detergente e ficou olhando eu tomar banho", completou.
A mulher contou também que os abusos começaram após as 18h do dia 9 de dezembro, dia seguinte à sua prisão. Segundo ela, a todo momento o investigador empunhava uma arma e fazia ameaças.
"Eu voltei muito perturbada para dentro daquela cela. Eu não falava mais nada, não tinha o que eu fazer", contou.
No dia 10 de dezembro, a presa foi transferida para a cadeia pública de Arenápolis, depois de ser abusada quatro vezes. Ela permaneceu na cadeia por dois dias e foi solta logo em seguida. A mulher havia sido presa pelo suposto envolvimento com um homicídio ocorrido em Sorriso.
"É uma tragédia. Eu não tenho paz, acabou. Não tenho paz", lamentou a vítima.
Ao ser interrogado, Manoel negou que tenha cometido qualquer abuso. No entanto, exame de DNA confirmou o ato. Segundo a delegada do caso, Layssa Leal, o investigador contava que, com o lapso temporal entre a coleta do material genético e o abuso, os vestígios teriam sido apagados.
Dois dias depois de conceder a entrevista a Roberto Cabrini, a mulher passou a ser procurada por tortura e organização criminosa. Na reportagem, ela admitiu ter passagem por tráfico de drogas, mas negou envolvimento com facções.
A defesa da vítima aponta falhas na investigação e corporativismo.
CELULAR FURTADO
Reportagem cita ainda a existência de um celular funcional que foi furtado por uma presa. No aparelho, foram encontradas mensagens sugerindo "tratamento diferenciado" a presos e mensagens acerca de policiais "apaixonados" por presas.
Há ainda relatos de que outras mulheres teriam sido abusadas por Manoel.
Em nota, a defesa do investigador afirmou que todos os fatos serão discutidos exclusivamente no processo.
Já o titular da delegacia, Bruno França, afirmou que os materiais extraídos do celular funcional foram editados e tirados de contexto.
A corregedoria da Polícia Civil acompanha as investigações em Sorriso.
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