A força do agronegócio mato-grossense voltou a aparecer no topo do ranking nacional de produção agrícola. De acordo com matéria publicada no G1, em 2025, Sapezal desbancou Sorriso e passou a ocupar a primeira colocação entre os municípios brasileiros com maior valor de produção agrícola. São Desidério, na Bahia, ficou em segundo lugar, enquanto Sorriso terminou o ano na terceira posição, após seis anos consecutivos na liderança.
(foto reprodução) - Os números fazem parte da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (17). O levantamento reúne informações sobre as principais lavouras cultivadas nos municípios brasileiros e considera indicadores como área plantada, quantidade produzida, produtividade e valor movimentado pela agricultura.
Para chegar ao valor de produção, o IBGE considera a quantidade produzida e os preços médios recebidos pelos produtores. O resultado permite comparar o peso econômico da atividade agrícola entre os municípios.
O avanço de Sapezal está diretamente relacionado ao desempenho das três principais culturas cultivadas no município: algodão, soja e milho.
O algodão herbáceo foi o principal responsável pelo resultado. A cultura alcançou R$ 5,12 bilhões em valor de produção em 2025, crescimento de 42,8% em relação ao ano anterior. Foram aproximadamente 1,2 milhão de toneladas colhidas.
A soja também apresentou forte crescimento e movimentou R$ 2,80 bilhões, alta de 51,4%. Já o milho alcançou R$ 656,9 milhões, avanço de 58,1%.
Somadas, as três culturas ajudaram a elevar o município ao primeiro lugar do ranking nacional. O resultado reflete a combinação entre grandes áreas cultivadas, produção em larga escala, mecanização e desempenho das commodities agrícolas.
(foto reprodução) - O algodão ocupa papel especialmente importante na economia local. Sapezal está entre os maiores produtores brasileiros da cultura e já foi apontado pelo próprio IBGE como líder nacional na produção de algodão herbáceo.
A saída de Sorriso da liderança não representa uma perda de protagonismo do município no agronegócio. A mudança está relacionada, em parte, à alteração territorial provocada pela criação de Boa Esperança do Norte, que passou a ser considerada oficialmente como município independente nas estatísticas do IBGE a partir de 2025.
O novo município foi formado por áreas que anteriormente pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Do território incorporado por Boa Esperança do Norte, 20% vieram de Sorriso e os outros 80% de Nova Ubiratã.
Com a mudança, parte das áreas agrícolas que antes entravam nos cálculos desses dois municípios passou a ser contabilizada separadamente.
Em Sorriso, a área total plantada diminuiu 9,3% em 2025. Entre as principais culturas, a redução foi de 8,3% na soja, 10% no milho e 19,7% no algodão.
Mesmo com a redução territorial, os números de produção mostram que Sorriso continua entre os grandes produtores agrícolas do país. O valor produzido com soja, por exemplo, aumentou 21,6% e chegou a R$ 4,05 bilhões.
O município também permaneceu na liderança nacional em valor da produção de milho. Já no algodão, houve redução de 1,6% no valor produzido e de 12,8% na quantidade colhida.
Como Sapezal virou uma potência agrícola
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Localizada no oeste de Mato Grosso, aproximadamente 520 quilômetros de Cuiabá, Sapezal possui pouco mais de 32 mil habitantes e tem sua economia fortemente ligada ao agronegócio.
A transformação da região ganhou força entre as décadas de 1970 e 1980, período marcado pela expansão da fronteira agrícola mato-grossense. Parte dos produtores que chegaram à região veio principalmente do Sul do país.
O processo de formação do núcleo urbano avançou no fim dos anos 1980, impulsionado pela abertura da MT-235 e por um projeto de colonização associado ao empresário André Antônio Maggi, integrante da família que posteriormente daria origem ao Grupo Amaggi.
Sapezal foi emancipada de Campo Novo do Parecis em 1994. Dois anos depois, André Maggi foi eleito o primeiro prefeito do município.
Nas décadas seguintes, a cidade consolidou uma economia baseada na produção em grande escala, especialmente de soja, milho e algodão.
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A criação de Boa Esperança do Norte também provocou alterações importantes no ranking nacional de produção agrícola.
Mesmo sendo um município recém-criado, a cidade já aparece na 25ª colocação entre os municípios brasileiros em valor da produção agrícola. Apenas a soja respondeu por R$ 1,7 bilhão em 2025.
O milho acrescentou outros R$ 952,8 milhões ao resultado, enquanto o algodão representou R$ 295,2 milhões.
A nova divisão territorial também teve impacto expressivo sobre Nova Ubiratã. Como aproximadamente 80% do território que passou a integrar Boa Esperança do Norte pertencia anteriormente ao município, a área plantada de Nova Ubiratã recuou 42,9%.
Nas áreas destinadas especificamente à soja e ao milho, a redução chegou a 43,9%.
Com a alteração, Nova Ubiratã caiu da oitava para a 20ª colocação no ranking nacional de valor da produção agrícola.

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