A secretária Municipal de Educação, Rosana de Cassia Botelho de Carvalho, de Mirassol D’Oeste (a 296 km de Cuiabá), recebeu um novo áudio, nesta quarta-feira (29), com ameaças e ataques de baixo calão enviado pelo suspeito, agora identificado como Fábio Antônio Alves Pádua. A servidora registrará um segundo boletim de ocorrência contra ele entre hoje e amanhã.
No novo áudio, que tem pouco mais de dois minutos de duração, ao qual o
teve acesso, ele chama a secretária de “vagab*” por 27 vezes e, além de xingá-la de outras formas, Fábio também acusa Rosana, novamente, de desviar verbas da Educação no valor de R$ 1,5 milhão, que, segundo ele, solucionariam uma questão de transporte público da cidade.
Ouça o áudio abaixo:
Em entrevista ao
, Rosana relatou que esta não é a primeira vez que Fábio a ataca e que ela já abriu um processo contra ele, que ainda está em tramitação. Segundo a secretária, tudo começou após a retirada de circulação de um transporte público da cidade que, segundo ela, não tinha legalidade e colocava as crianças em risco.
“Infelizmente, a gente estava sem condições de fazer esse transporte e as crianças estavam até correndo um certo risco. Avisei aos pais que isso não seria mais possível neste ano, expliquei tudo direitinho na rádio e nos grupos de mensagens. A partir do momento que se criou um grupo [de WhatsApp], dentro da cidade, para se tratar desse assunto entre os pais, inseriram esse cidadão [Fábio] no grupo e ele começou a fazer ataques com essa baixeza que ele é, porque aquilo pra mim não é um ser humano, não existe uma pessoa daquela forma”, relatou Rosana.
Questionada sobre a motivação de Fábio para os ataques, a secretária disse não saber. Ela aponta que é um ataque “gratuito”, pois não o conhece e supõe que ele esteja sendo financiado para praticar tais atos, visto que, segundo ela, Fábio também ataca outras pessoas de cidades próximas a Mirassol D’Oeste.
“Eu não sei qual é, de fato, o objetivo dele, do porquê dele estar agindo assim comigo, já que ele não me conhece, ele não sabe quem eu sou. Antes ele não cometia crimes que pudessem levá-lo à prisão, mas ontem ele cometeu. A partir do momento que ele mandou me matar, que ele incitou pessoas a fazer isso, eu entrei com o primeiro boletim. Eu já sabia o nome dele, porque no grupo de WhatsApp as pessoas o chamavam por Fábio, apesar da gente nunca ter tido, na época, certeza de quem ele era. Depois nós tivemos a certeza, o nome dele é Fábio”, reforçou.
Psicológico abalado
Rosana relatou que, desde ontem, tem estado “muito abalada psicologicamente”, mas que está cumprindo suas obrigações presencialmente, inclusive hoje. Ela diz que tem recebido apoio de amigos, familiares, da Prefeitura e da sociedade.
“Não tenho segurança. Minha única segurança é Deus e o apoio da minha família, dos meus amigos, do meu prefeito. É assim que eu tô seguindo, mas trabalho porque realmente tenho muita força de vontade e tenho muitas pessoas que me apoiam, mas a cabeça está difícil”, desabafou.
A secretária também faz um apelo para que as forças de Segurança realizem as devidas investigações: “Eu não mereço que me chamem de ladra, de me acusarem de roubos, de um desvio de dinheiro exorbitante que ele coloca. Eu não quero passar por isso, e espero muito que a Justiça seja feita”.
O caso
Na tarde de ontem, Rosana registrou um boletim de ocorrência onde disse ter tomado conhecimento do que chamou de “declarações caluniosas, ameaçadoras e difamatórias” que ocorreram em um grupo intitulado “Anunciação da Política de Mirassol”.
Nos áudios, o suspeito inicia a fala com um lembrete inusitado: “Bom dia, bom dia, Mirassol. Só pra lembrar vocês, pra vocês ficarem já atentos: acidente de carro e bala perdida, besouro sem asa, não é crime, tá? Isso vale pra vocês que, na hora que vocês verem a secretária de Educação do município, essa incompetente, essa vagab* e ladrona, com roubo de mais de seiscentos mil e um milhão e meio lá da secretaria de Educação (...) já vai pra dois milhões. E aí, cês não vão fazer nada?” (sic), afirma o homem.
Na sequência o suspeito chega a recomendar que as pessoas que integram o grupo devem utilizar revólver e metralhadora contra a secretária e reforça o suposto lembrete: “Tiro acidental também não é crime”.
Ainda ontem, em relato à imprensa, Rosana disse estar profundamente abalada e assustada com toda a situação que a coloca "em risco imediato".
Por meio de nota, a Prefeitura de Mirassol manifestou repúdio sobre o caso, afirmando que as mensagens e áudios no referido grupo “incitam explicitamente a violência física contra a servidora pública, acusando-a infundadamente de desvios de recursos”.
“A incitação ao assassinato é crime grave que deve ser investigado e punido com rigor pelas autoridades competentes. Apoiamos integralmente as investigações da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e exigimos que medidas protetivas imediatas sejam adotadas para garantir a integridade física de nossa secretária”, diz trecho da nota.
O outro lado
O
, entrou em contato com Fábio Antônio Alves Pádua, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
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