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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
Presidente da UCMMAT é contra PEC que acaba com salários de vereadores em cidades com menos de 30 mil habitantes.

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Presidente da UCMMAT é contra PEC que acaba com salários de vereadores em cidades com menos de 30 mil habitantes.

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Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que deve ser protocolada nos próximos dias na Câmara dos Deputados, pode provocar uma reconfiguração significativa nas Câmaras Municipais do país. A iniciativa foi anunciada pelo deputado Amom Mandel (Cidadania-AM) e prevê transformar vereadores de cidades com até 30 mil habitantes em “conselheiros”, sem salário fixo.
PEC propõe fim do cargo de vereador em cidades com até 30 mil habitantes

(deputado federal, Amom Mandel (Cidadania-AM -  foto reprodução)
Se aprovada, a medida pode atingir diretamente 118 dos 142 municípios de Mato Grosso, o equivalente a 83% do total. Pelo texto em elaboração, os atuais subsídios mensais seriam substituídos por pagamento de ajuda de custo por sessão, configurando, na prática, um modelo de mandato não profissional.

Diante da proposta, o presidente da UCMMAT, o vereador por Várzea Grande Carlinhos Figueiredo (Republicanos), se posicionou de forma contrária e adotou um tom mais duro ao comentar o tema. Segundo ele, a medida representa um enfraquecimento do Legislativo municipal em todo o país.

“Sou contra essa PEC. Isso é um desrespeito com os vereadores de Mato Grosso e de todo o Brasil. Vamos falar com nossa bancada federal e, se for preciso, iremos até Brasília quantas vezes forem necessárias para lutar pelos direitos dos vereadores”, afirmou.

Carlinhos também destacou que a proposta pode comprometer o funcionamento das Câmaras Municipais, principalmente nas cidades menores. “O vereador é quem está na ponta, ouvindo a população, fiscalizando o prefeito e cobrando soluções. Tirar as condições mínimas de atuação é enfraquecer a democracia na base”, declarou.

O presidente da UCMMAT ainda reforçou que pretende articular uma mobilização nacional. “Não vamos aceitar isso de forma passiva. Vamos buscar apoio de vereadores de todo o país, dialogar com deputados e senadores e mostrar que essa proposta precisa ser revista. Se preciso, estaremos em Brasília defendendo cada mandato”, completou.

A proposta também prevê mudanças estruturais, como o repasse automático de recursos às câmaras municipais, sem intermediação do Executivo, e a possibilidade de revisão de regras regimentais para ampliar a participação das minorias no Legislativo.

Em Mato Grosso, o impacto seria imediato em municípios como Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio de Leverger e Chapada dos Guimarães. Nessas cidades, vereadores deixariam de receber salários fixos, que atualmente variam entre R$ 7,5 mil e R$ 10,4 mil, além de verbas indenizatórias.

A mudança pode resultar em redução de gastos públicos, mas também tende a alterar o perfil dos parlamentares, favorecendo aqueles que já possuem renda própria e limitando a atuação política como atividade principal.

Além do impacto financeiro, o modelo pode reduzir a fiscalização contínua do Executivo, já que a atuação dos parlamentares passaria a ser mais pontual, vinculada às sessões. Por outro lado, apoiadores da proposta argumentam que a medida pode contribuir para reduzir custos, combater privilégios e aproximar o mandato de uma função mais representativa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que Mato Grosso possui 24 municípios com mais de 30 mil habitantes, o que indica que a maior parte das cidades do estado seria diretamente afetada caso a PEC avance no Congresso Nacional.

 

FONTE/CRÉDITOS: mtdefato - foto reprodução
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