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Terça-feira, 14 de Julho de 2026
Pesquisadores lançam diagnóstico inédito sobre crise climática em Mato Grosso com cenários até 2050

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Pesquisadores lançam diagnóstico inédito sobre crise climática em Mato Grosso com cenários até 2050

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O mês de julho, marcado pelo Dia de Proteção às Florestas, celebrado em 17 de julho (sexta-feira), reforça a importância da preservação dos ecossistemas diante do avanço da crise climática. Nesse contexto, ganha ainda mais relevância a publicação “Indicadores do Clima em Mato Grosso”, obra lançada pelo Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação, que apresenta um diagnóstico inédito sobre os impactos das mudanças climáticas no Estado e aponta caminhos para políticas públicas de adaptação e mitigação.

Embora o Dia Mundial do Clima (26 de março) e o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas (16 de março) sejam as principais datas voltadas ao debate sobre o aquecimento global, julho também representa um momento estratégico para ampliar essa discussão, especialmente pela necessidade de proteger as florestas, fundamentais para a regulação do clima, da biodiversidade e dos recursos hídricos.

Tendo em vista que o período já se integra os meses, até meados de outubro, de estiagem, que favorece a ocorrência de incêndios florestais e queimadas. Com pouca chuva, baixa umidade do ar e vegetação seca, focos de fogo que se alastram com rapidez e podem atingir grandes proporções.

O LIVRO

 A obra é resultado de três anos de estudos e debates realizados pela Câmara Setorial Temática de Mudanças Climáticas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (SEMC-ALMT), entre 2023 e 2024, a publicação reúne a contribuição de mais de 50 pesquisadores, especialistas e representantes da sociedade civil. O trabalho foi liderado por uma equipe técnica multidisciplinar responsável pela elaboração dos indicadores e do georreferenciamento.

O livro apresenta, de forma didática, os principais fatores que impulsionam a crise climática e demonstra como o aumento da temperatura média global acima de 1,5°C poderá afetar Mato Grosso nas próximas décadas. São mais de 18 mapas, gráficos e indicadores que mostram cenários projetados entre 2030 e 2050, considerando situações com e sem políticas públicas de adaptação.

Entre os temas abordados estão o aumento das secas prolongadas, das ondas de calor, dos incêndios florestais, dos eventos extremos de chuva, além dos impactos sobre a saúde, as cidades, a infraestrutura logística e a produção agropecuária.

A publicação também traz reflexões apresentadas pelo climatologista Carlos Nobre, pesquisador reconhecido internacionalmente e vencedor do Prêmio Nobel da Paz como integrante do IPCC. Durante a abertura dos trabalhos da Câmara Setorial Temática, ele alertou que a Amazônia vem deixando de ser um grande sumidouro de carbono para se tornar uma fonte de emissões.

“Nos anos 1990, a Amazônia removia mais de 1,5 bilhão de toneladas de gás carbônico da atmosfera por ano, e hoje a floresta está se transformando em uma fonte de emissão de carbono. Se o clima continuar esquentando e a degradação seguir no mesmo ritmo, daqui a 50 anos poderemos perder até 70% da floresta”, alertou Carlos Nobre.

(foto reprodução)

EM MATO GROSSO

E apresenta que Mato Grosso precisa acelerar a implementação de políticas públicas voltadas à adaptação climática. Onde existe cinco anos para que o Acordo de Paris acabe, e pouquíssimos países cumpriram suas metas. Para enfrentar um mundo com mais doenças e extremos do clima, com ondas de calor que vão castigar sobretudo a população mais vulnerável, será fundamental o envolvimento do poder público, especialmente dos deputados estaduais.

O material foi elaborado a partir do refinamento de dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC/ONU) e de dezenas de pesquisas científicas específicas sobre Mato Grosso. O objetivo é servir como referência para a elaboração de novas legislações e políticas públicas nos 142 municípios mato-grossenses, priorizando ações de prevenção aos incêndios florestais, adaptação das cidades, infraestrutura, logística, saúde pública e fortalecimento da produção sustentável.

Parte desse trabalho já foi apresentada durante a COP30 (a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima aconteceu entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém-PA), quando a secretária da Câmara Setorial Temática, Juliana Arini, destacou a importância da atuação dos parlamentos estaduais e municipais no cumprimento das metas climáticas nacionais.

Além de apresentar os riscos, a publicação também aponta soluções, mostrando experiências exitosas, especialmente na agricultura brasileira, que contribuíram para a redução das emissões de gases de efeito estufa e podem servir de referência para novas políticas de desenvolvimento sustentável.

Neste mês em que o Brasil celebra o Dia de Proteção às Florestas, o livro reforça que preservar os ecossistemas é uma das estratégias mais eficazes para reduzir os impactos da crise climática, proteger a biodiversidade, garantir a segurança hídrica e assegurar qualidade de vida para as futuras gerações.

A publicação “Indicadores do Clima em Mato Grosso” está disponível gratuitamente no link- https://institutoinca.com.br/storage/uploads/files/Livro_Indicadores_do_Clima_em_Mato_Grosso.pdf

FONTE/CRÉDITOS: Por Beatriz Saturnino Da Assessoria de Imprensa - foto reprodução
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