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Segunda-feira, 29 de Junho de 2026
P. e Lacerda: CV domina garimpo ilegal em terra indígena e transforma ouro em moeda do crime, diz PF.

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P. e Lacerda: CV domina garimpo ilegal em terra indígena e transforma ouro em moeda do crime, diz PF.

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O Garimpo Cururu, um dos principais pontos de extração ilegal de ouro na terra indígena Sararé, em Pontes e Lacerda. no oeste de Mato Grosso, passou a ser controlado pelo Comando Vermelho (CV), de acordo com investigações da Polícia Federal. A facção, que inicialmente atuava como segurança armada dos garimpeiros, ampliou sua presença e dominou áreas de mineração ilegal, usando o ouro para financiar outras atividades criminosas trocando o metal por armas e drogas na Bolívia.

Uma megaoperação coordenada pela Casa Civil, do governo federal, combate desde março os crimes na região. Vários órgãos federais enviaram equipes que trabalham em conjunto.

O programa Fantástico, da Rede Globo,acompanhou o trabalho de forças de segurança dentro do território. Desde o início da operação, é a primeira vez que uma equipe de reportagem se aproxima para entender o poderio de garimpeiros e do tráfico no local.

(foto reprodução)

A Terra Indígena Sararé pertence ao povo Nambikwara desde 1985, quando aconteceu a demarcação. A região ocupa áreas de três cidades e soma 67 mil hectares, com 1.117 pontos de garimpo.

Até poucos meses atrás, mais de 2 mil pessoas estavam dentro do território extraindo o ouro. A exploração ilegal na região era tão agressiva e envolvia tantas pessoas que, segundo a inteligência da operação, um dos locais passou a ser chamado de "vila".

"Aqui a gente tinha bar, tinha comércio, tinha farmácia. Você tinha toda uma estrutura de um vilarejo", disse o coordenador da operação pela Casa Civil, Nilton Tubino. O território também tem túneis escavados para apoiar a exploração do ouro e usados pelo Comando Vermelho para esconder armas e munições, segundo a polícia.

As investigações indicam que o Comando Vermelho começou a atuar na região em 2023, oferecendo proteção armada para garimpeiros. Aos poucos, a facção tomou o controle da região. "Eles utilizam ouro como moeda de troca, para encaminhar o ouro a países vizinhos e receber de volta um entorpecente ou armamento", disse Rodrigo Vitorino, delegado da Polícia Federal.

Imagens reunidas por investigadores mostram as tentativas de intimidação dos criminosos. Segundo a Polícia Federal, vídeos mostram traficantes aparecem exibindo armamento e escoltando um trator para abrir caminho na terra indígena.

A operação apreendeu mais de 42 mil litros de óleo diesel e 153 kg de ouro, além de destruir 33 túneis, quase 4 toneladas de explosivos, 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 máquinas de escavação. A investigação também prendeu 72 pessoas e estima que o prejuízo para o garimpo ilegal passa de R$ 110 milhões.

(foto reprodução) - Na última quinta-feira (25), a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão contra um homem acusado de vender máquinas e fuzis para os traficantes. "O armamento de grosso calibre adentrou a terra indígena a partir da presença dos faccionados. Os criminosos se utilizam de esconderijos para esconder o armamento e fugir pela mata a fim de se esvair da atuação policial", disse o delegado Rodrigo, da PF.

Além da violência, a presença de traficantes afeta a preservação do meio ambiente, numa área que há décadas está desprotegida. No chamado Garimpo do 4, a retirada de terra atingiu o lençol freático. O Rio Sararé também apresenta sinais de poluição provocada pela atividade.

O uso de mercúrio e cianeto deixa consequências que podem durar séculos. "Pode demorar centenas de anos para que a área volte a se recuperar e permita o retorno de parte da flora e da fauna", disse Sérgio Suzuki, agente do Ibama.

"Arrebentou toda a natureza, acabou. Ficou muito difícil para a gente sobreviver", disse um indígena que não quis mostrar o rosto por motivos de segurança. O governo do Mato Grosso disse que está construindo, em um dos acessos da Terra Indígena Sararé, uma base policial de apoio e integração entre as forças estaduais e federais.

E afirmou que está à disposição para atuar em parceria com o governo federal. Os Nambikwara buscam retomar o que tinham no passado: paz, liberdade e respeito ao território que, para eles, é sagrado.

FONTE/CRÉDITOS: folhamax - foto reprodução
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